Atacar é arte, defender é "fácil"? Mbappé polemiza ao classificar posição de zagueiro como a mais simples do futebol
Astro do Real Madrid afirma que defensores são "protegidos" e podem jogar até os 40 anos; análise técnica e dados da La Liga, porém, mostram que o buraco é mais embaixo.
Por Redação Goiás Agora
Kylian Mbappé voltou a agitar os bastidores do futebol mundial, mas desta vez não foi por um gol de placa. Em entrevista ao podcast The Bridge, o atacante do Real Madrid disparou uma opinião que não deve ter caído nada bem entre seus companheiros de defesa: para ele, ser zagueiro é a tarefa mais fácil das quatro linhas.
O Argumento do Francês
Mbappé baseia sua tese em dois pilares: proteção tática e longevidade.
"Você está protegido por todos os lados, pode até jogar com três zagueiros. É a única posição em que você vê jogadores de 40 anos ainda atuando na Europa em clubes de ponta. Um atacante de 40 anos está acabado", provocou o camisa 9 merengue.
Destruir vs. Construir: O Eterno Paradoxo
De fato, há um ponto a favor de Kylian: destruir é, tecnicamente, menos complexo do que construir. As ferramentas de interceptação, posicionamento e desarme são padrões treináveis e repetitivos. Já o atacante lida com o imponderável: precisa de criatividade e improviso para furar bloqueios cada vez mais fechados.
Por que Mbappé pode estar subestimando o risco?
Apesar da fala do craque, a realidade do defensor carrega um peso que poucos atacantes suportariam: a margem de erro zero.
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- A Falha Fatal: Se um atacante erra cinco finalizações e marca uma, sai como herói. Se um zagueiro erra um domínio ou um tempo de bola, o resultado é quase sempre um gol sofrido e uma carreira marcada por uma falha.
- O Protecionismo da Regra: Atacantes são protegidos pelo rigor das faltas e cartões. O zagueiro precisa de uma precisão cirúrgica; um centímetro de erro dentro da área resulta em pênalti e, muitas vezes, em cartão vermelho.
- A Compensação Financeira: Não é à toa que os atacantes recebem os maiores salários. Eles são pagos pelo "ápice" do jogo (o gol), mas os zagueiros são pagos pela "tensão" constante de evitá-lo.
O que dizem os dados?
O artigo "Assimetrias do futebol: o paradoxo passe-gol", de D. R. Antequera, que analisou 380 jogos da La Liga, traz um contraponto científico à fala de Mbappé. O estudo mostra que:
- No segundo tempo, o número de gols aumenta enquanto o número de passes necessários para marcar diminui.
- A explicação? Fadiga física e mental. É no cansaço que os times se espaçam e os zagueiros ficam mais expostos a transições rápidas. Ou seja, o defensor lida com o erro coletivo o tempo todo.
A Longevidade não é exclusividade da zaga
Embora Mbappé afirme que atacantes de 40 anos estão "acabados", a lista de "vovôs" do ataque que ainda incomodam as defesas é longa e respeitável:
- Cristiano Ronaldo
- Robert Lewandowski
- Luis Suárez
- Hulk
- Germán Cano
Veredito
No futebol moderno, não existe "posição fácil". O que existe são exigências diferentes. Enquanto o atacante vive da explosão e do erro do adversário, o zagueiro vive da cautela, da leitura de jogo e da precisão. Mbappé pode até achar fácil ver o jogo de frente, mas certamente não gostaria de carregar a responsabilidade de ser o último homem antes da rede balançar.
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