Goiânia, Sábado, 03 de outubro de 2026
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Saúde, Goiânia

AVC atinge jovens: 18% dos casos no Brasil ocorrem entre 18 e 45 anos

Morte do arquiteto Talles Sousa, 39 anos, reforça alerta sobre diagnóstico tardio; médicos apontam fatores de risco e sinais que exigem atendimento imediato

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AVC atinge jovens: 18% dos casos no Brasil ocorrem entre 18 e 45 anos

Cerca de 18% dos casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) registrados no Brasil ocorrem em pessoas de 18 a 45 anos, segundo dados da Rede Brasil AVC. O número contraria a ideia de que a doença atinge apenas idosos e ganhou destaque após a morte do arquiteto Talles Sousa, aos 39 anos, em Goiás.


Sousa morreu na terça-feira (29), depois de sofrer um AVC e um infarto. Ele estava internado desde domingo (27).


Segundo o neurocirurgião Marcos Spadoni, do Hospital Mater Dei Goiânia, a idade aumenta o risco, mas não impede que a doença apareça cedo. "O AVC não é doença só de idoso, pode acontecer em qualquer idade. A idade pesa, mas jovens também têm AVC, e muitos demoram a buscar ajuda porque ninguém imagina que seja isso", afirma.


Um dos principais problemas nessa faixa etária é justamente a demora para reconhecer os sintomas. Sinais como dificuldade para falar, tontura, formigamento e dor de cabeça intensa costumam ser confundidos com enxaqueca, labirintite ou ansiedade.


Fatores de risco antes associados a pessoas mais velhas têm sido identificados cada vez mais cedo, como hipertensão, diabetes, obesidade, sedentarismo, tabagismo, alterações no colesterol, estresse e sono inadequado. Muitas dessas condições evoluem de forma silenciosa, sem sintomas perceptíveis antes de uma complicação.


"Há um aumento de fatores de risco na população jovem, como obesidade, hipertensão, diabetes, sedentarismo, tabagismo, estresse e sono ruim. Também existem causas próprias do jovem, que são mais específicas", destaca Spadoni.


Em pacientes mais novos, a investigação médica considera ainda alterações cardíacas, problemas nos vasos sanguíneos e distúrbios de coagulação. Entre as causas específicas estão a dissecção de artérias do pescoço, o uso de drogas estimulantes e o forame oval patente, uma abertura entre as câmaras superiores do coração que pode permanecer após o nascimento. A enxaqueca com aura, quando associada ao tabagismo e ao uso de anticoncepcionais hormonais, também pode elevar o risco.


A presença de um desses fatores, no entanto, não significa que a pessoa necessariamente sofrerá um AVC. A avaliação deve ser individualizada por um profissional.


Os sintomas do AVC surgem geralmente de forma súbita. Os principais sinais incluem desvio da boca, fraqueza ou formigamento em um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender, perda repentina da visão, tontura intensa com perda de equilíbrio e dor de cabeça súbita e muito forte.


"Diante de qualquer um desses sinais, busque a emergência imediatamente. Não espere melhorar", orienta o neurocirurgião. A recomendação vale mesmo quando os sintomas desaparecem em poucos minutos, pois a melhora momentânea não descarta o risco e também precisa ser investigada.


O AVC ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma parte do cérebro é interrompido ou quando há rompimento de um vaso. Nos dois casos, o atendimento rápido é determinante para reduzir os danos.


"Em um AVC isquêmico, estima-se que cerca de 2 milhões de neurônios morrem a cada minuto sem tratamento. Quanto mais cedo a artéria é reaberta, maior a chance de recuperação", afirma Spadoni.


No AVC isquêmico, causado pela obstrução de uma artéria, a trombólise pode ser indicada em uma janela de até 4,5 horas após o início dos sintomas. O procedimento usa medicamentos para dissolver o coágulo e restabelecer a circulação. Em pacientes selecionados, a trombectomia mecânica pode ser realizada por até 24 horas, com um cateter para retirar o coágulo que impede a passagem do sangue.


"A demora aumenta o risco de sequelas permanentes, como paralisia, perda da fala, dependência e até morte", alerta o médico. A indicação de cada procedimento depende do tipo de AVC, do horário de início dos sintomas, dos exames de imagem e das condições clínicas do paciente.


O tratamento inicial segue os mesmos princípios independentemente da idade. A diferença aparece na investigação da causa, que no jovem precisa ser mais profunda, com análise de vasos, coração e coagulação. Outro ponto é o diagnóstico tardio, já que os sintomas costumam ser confundidos com enxaqueca, labirintite ou ansiedade.


Segundo o médico, pessoas mais jovens também podem ter maior capacidade de recuperação, o que torna a reabilitação precoce ainda mais valiosa. "Por outro lado, o cérebro jovem tem maior capacidade de recuperação, o que torna a reabilitação precoce ainda mais valiosa", acrescenta.


A prevenção envolve conhecer e controlar fatores que podem ser modificados. Mesmo sem sintomas, adultos jovens devem acompanhar a pressão arterial, a glicemia e o colesterol, além de manter atividade física regular, cuidar da alimentação e do peso, não fumar, evitar drogas estimulantes, moderar o consumo de álcool e priorizar a qualidade do sono.


Pessoas com fatores de risco ou histórico familiar devem manter acompanhamento médico periódico, com avaliações com neurologista e cardiologista conforme cada caso. "O AVC pode ser prevenido em muitos casos. Conhecer os próprios números, cuidar da saúde cardiovascular e manter acompanhamento são atitudes que protegem o cérebro e o coração ao longo da vida", conclui Spadoni.

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