Concurso da Câmara de Goiânia: alteração de gabarito gera revolta entre candidatos
Instituto Verbena mudou resposta de questão sobre acúmulo de cargos. Concorrentes alegam que novo gabarito contraria emenda constitucional de 2025.
Por Redação Goiás Agora
Candidatos que participaram do concurso público da Câmara Municipal de Goiânia estão questionando a alteração no gabarito da questão 25 da prova para cargos de nível superior. A mudança, promovida pelo Instituto Verbena, vinculado à Universidade Federal de Goiás (UFG) e responsável pela organização do certame, pode impactar diretamente a classificação final de diversos concorrentes.
O impasse envolve uma questão que tratava da possibilidade de acumulação de cargos públicos. O enunciado apresentava o caso de um professor da rede municipal aprovado em um concurso para cargo de nível médio do Legislativo estadual, e questionava se ele poderia acumular as funções.
Entre as alternativas, duas concentraram o debate:
- Letra A: Previa a possibilidade de acumular um cargo de professor com outro técnico.
- Letra B: Autorizava a acumulação de um cargo de professor com outro de qualquer natureza, desde que houvesse compatibilidade de horários e respeito ao teto constitucional.
Mudança no gabarito e a Constituição
No gabarito preliminar divulgado pelo Instituto Verbena, a alternativa considerada correta havia sido a letra B. Posteriormente, no entanto, a resposta foi alterada para a letra A no documento atualizado. Segundo candidatos e professores, a mudança contraria a legislação vigente, especialmente após a promulgação da Emenda Constitucional nº 138, de 2025.
O artigo 37 da Constituição Federal (inciso XVI, alínea “b”), com a redação dada pela emenda recente, estabelece que é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, “a de um cargo de professor com outro de qualquer natureza”.
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Para os candidatos, a alternativa A refletiria um entendimento antigo e desatualizado, enquanto a letra B estaria em total conformidade com a norma atualmente em vigor no país. Além disso, o edital do concurso não trazia nenhum dispositivo determinando que deveria ser considerada apenas a legislação vigente até a data de publicação do documento, reforçando a cobrança da regra atual.
Pressão nas redes sociais e apelo à Câmara
Nas redes sociais, os candidatos têm cobrado explicações do instituto e da própria Casa de Leis. O argumento principal é que não faz sentido considerar uma questão desatualizada no gabarito final, especialmente em um concurso voltado para o poder Legislativo.
A indignação foi parar nos canais oficiais da Câmara Municipal de Goiânia. Uma página destinada aos aprovados de 2026 cobrou uma posição do presidente da Casa, vereador Romário Policarpo: “Como Casa Legislativa, vocês não podem permitir uma incoerência na prova de um concurso público da própria Casa de Leis”, apontando o desacordo com a Constituição Federal.
Especialistas consultados pelos candidatos também apontam a letra B como a correta com base na redação atual. Como a questão tem peso de dois pontos, a pontuação pode ser determinante para a aprovação ou eliminação no certame, já que a alteração atinge todos os concorrentes de nível superior. O Instituto Verbena ainda não se pronunciou oficialmente sobre as queixas.
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