Cortar para crescer em IA: Meta demite 8 mil funcionários em reestruturação global
Dona do Facebook inicia corte em massa e remaneja equipes para focar em Inteligência Artificial; monitoramento de dados dos próprios trabalhadores gera revolta interna.
Por Redação Goiás Agora
A busca obstinada de Mark Zuckerberg pela liderança no mercado de Inteligência Artificial (IA) ganhou um novo e doloroso capítulo. A Meta iniciou uma onda de demissões em massa que deve extinguir cerca de 8.000 postos de trabalho ao redor do mundo, o equivalente a 10% de sua força de trabalho global. Os cortes começaram na manhã de quarta-feira (20) e atingem principalmente as áreas de engenharia e desenvolvimento de produtos.
De acordo com memorandos internos, a empresa orientou grande parte de suas equipes a trabalhar de casa durante o processo de desligamento para evitar o clima de tensão nos escritórios. Na Ásia, as notificações começaram logo cedo, seguidas pela Europa — onde a operação na Irlanda perdeu cerca de 350 colaboradores (um quinto do time local) — e avançando pelos Estados Unidos ao longo do dia.
A Dança das Cadeiras: Menos Chefes, Mais Algoritmos
Ao mesmo tempo em que passa o facão em setores tradicionais, a Meta está movendo suas peças no tabuleiro tecnológico. Aproximadamente 7.000 funcionários foram poupados das demissões, mas acabaram realocados para divisões recém-criadas com foco exclusivo no desenvolvimento de soluções em IA.
"Chegamos a um ponto em que muitas áreas podem operar com uma estrutura mais enxuta, com equipes menores, em grupos que se movem mais rápido e com mais autonomia. Acreditamos que isso vai nos tornar mais produtivos", escreveu Janelle Gale, chefe de recursos humanos da Meta, em comunicado interno.
Espionagem corporativa? Monitoramento gera revolta
O clima nos bastidores da gigante da tecnologia, no entanto, é de forte ansiedade e indignação. Para acelerar o treinamento de suas próprias ferramentas de IA, a Meta adotou práticas severas de monitoramento que geraram uma crise de privacidade interna:
- O Treinamento: A empresa começou a coletar dados minuciosos de uso dos dispositivos de trabalho dos próprios engenheiros enquanto eles programam.
- Dados Coletados: O monitoramento inclui cliques, movimentos do mouse, o conteúdo em tempo real das telas e até o histórico de teclas digitadas (keystrokes).
- A Reação: Mais de mil funcionários já assinaram uma petição formal exigindo o fim imediato da coleta desses dados. A categoria relata um ambiente de frustração extrema, sentindo-se "vigiada" pela tecnologia que eles mesmos ajudam a construir.
O plano de eficiência de Zuckerberg
A rodada de demissões já era ventilada pelo mercado de tecnologia desde abril e cumpre a risca a meta de Zuckerberg de cortar camadas intermediárias de gestão. A ideia é deixar a Meta com uma estrutura horizontalizada, onde agentes de Inteligência Artificial auxiliem os engenheiros humanos remanescentes a programar softwares de forma muito mais rápida, reduzindo o custo operacional da companhia no longo prazo.
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