De olho no Planalto, Caiado mira vice do PSDB, mas aliança esbarra na resistência de Marconi em Goiás
Estratégia nacional do PSD foca em tempo de TV e no nome de Tasso Jereissati, enquanto tucanato goiano aposta na força de Perillo para vetar a composição e isolar adversários no estado.
Por Redação Goiás Agora
A construção da candidatura à Presidência da República do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), chegou a um momento decisivo de definições partidárias. Sob a articulação do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, o PSD elegeu o PSDB como a opção prioritária para ocupar a vaga de vice-presidente na chapa de centro-direita. No entanto, a costura nacional enfrenta um obstáculo de peso justamente no berço político do presidenciável: a oposição ferrenha do ex-governador Marconi Perillo, presidente do PSDB em Goiás.
O xadrez nacional e o peso da TV
No plano federal, as negociações avançam com pragmatismo. A ideia inicial de uma chapa "puro-sangue", que teria o próprio Gilberto Kassab como vice, perdeu força nas últimas semanas. A prioridade agora é agregar aliados que garantam maior capilaridade e, sobretudo, tempo de televisão — um ativo considerado vital para ampliar a projeção nacional de Caiado frente aos eleitores.
Atualmente, o PSD dispõe de 59 segundos de propaganda eleitoral. A eventual adesão da federação PSDB/Cidadania injetaria mais 31 segundos na campanha do goiano, fortalecendo a chapa para competir com blocos maiores, como o PL e a federação União Brasil/PP. Diante da necessidade de afinidade programática no campo da centro-direita, os tucanos ganharam protagonismo, com o nome do ex-senador cearense Tasso Jereissati figurando entre os mais cotados para o posto.
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Se em Brasília a aliança soa como uma solução estratégica, em Goiás, o cenário é de forte tensão. Marconi Perillo, que comanda o PSDB estadual, construiu sua trajetória recente fazendo oposição frontal a Caiado, tendo sido alvo de duras críticas do ex-governador ao longo dos últimos sete anos.
Para além das desavenças passadas, o conflito atual envolve a sucessão no Palácio das Esmeraldas. Marconi é pré-candidato ao governo de Goiás e tem como principal obstáculo eleitoral o herdeiro político da base caiadista, o atual pré-candidato Daniel Vilela (MDB). Integrantes do tucanato local rejeitam subir no mesmo palanque que seus rivais diretos no estado e apostam no peso político de Perillo dentro da executiva nacional para barrar a aliança.
O relógio eleitoral para 2026
Enquanto a centro-direita tenta equacionar os interesses regionais com o projeto nacional, o campo adversário já movimenta suas peças com antecedência. A urgência para a definição da chapa de Caiado contrasta com a situação da base governista federal, que já tem seu desenho consolidado após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar que Geraldo Alckmin seguirá como seu companheiro de chapa na corrida eleitoral de 2026.
A resolução do impasse entre o comando nacional do PSD e o diretório goiano do PSDB definirá não apenas o formato da campanha presidencial de Ronaldo Caiado, mas também o redesenho das forças políticas na disputa pelo governo de Goiás.
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