Endividamento atinge quase 76% das famílias em Goiás; cartão de crédito é o principal vilão
Índice saltou mais de dez pontos percentuais em apenas um ano. Levantamento da CNC aponta que inflação e juros altos dificultam a quitação de débitos no estado.

Por Redação Goiás Agora
O endividamento das famílias goianas atingiu um patamar preocupante no primeiro trimestre de 2026. Segundo o levantamento mais recente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o índice chegou a 75,8% em março, um salto considerável em relação aos 64,2% registrados no mesmo período do ano passado.
O cenário em Goiás acompanha a crise nacional, onde o endividamento atingiu a marca histórica de 80,4%. Além das dívidas, a inadimplência também acende o alerta: 38,6% das famílias goianas possuem contas em atraso, e apenas uma em cada cinco acredita que conseguirá regularizar sua situação nos próximos meses.
Os motivos da crise no orçamento
De acordo com a CNC, a combinação de três fatores principais tem "estrangulado" o orçamento doméstico em Goiás:
- Juros Elevados: Encarecem o custo de empréstimos e financiamentos.
- Inflação Persistente: O aumento nos itens básicos de sobrevivência diminui o poder de compra.
- Custos de Logística: A alta recente no preço do diesel encareceu o frete de produtos e serviços, repassando o custo ao consumidor final.
O perigo do Cartão de Crédito
O levantamento aponta o cartão de crédito como o maior responsável pelo endividamento, sendo frequentemente utilizado como um "complemento de renda" para despesas essenciais.
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As famílias de menor renda (até 10 salários mínimos) são as mais afetadas, apresentando um nível de endividamento de 77,7%. O uso do crédito parcelado nesse grupo é comum para manter o consumo mínimo, mas os juros rotativos acabam criando uma "bola de neve" financeira.
Consequências para o comércio
Com o orçamento comprometido, o comportamento de consumo mudou. As famílias goianas estão priorizando despesas essenciais e adiando a compra de bens não urgentes, como:
- Eletrodomésticos e móveis;
- Roupas e calçados;
- Presentes e itens de lazer.
Unificação de dívidas como saída
Como estratégia para reverter esse cenário, o governo federal estuda um projeto de unificação de dívidas. A proposta permitiria que o cidadão inadimplente reunisse débitos de cartões, empréstimos e contas diversas em uma única negociação. O objetivo é substituir as dívidas antigas por um novo acordo com juros reduzidos e descontos que, em alguns casos, podem chegar a 80% do valor total devido.
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