Goiânia completa 93 anos com Campinas e casa de 1925 como marcos históricos
Bairro mais antigo da capital começou a ser formado em 1810, 123 anos antes do lançamento da pedra fundamental de Goiânia
Goiânia completa 93 anos neste sábado (24), mas parte da história da capital começou muito antes de suas primeiras avenidas. No Setor Campinas, um dos bairros mais antigos da cidade, a memória atravessa mais de dois séculos: a formação da antiga Campininha das Flores começou em 1810, e uma casa construída em 1925 permanece como testemunha de uma época em que Goiânia ainda nem existia.
A diferença de idade ajuda a entender por que Campinas ocupa um lugar especial na história da capital. Antes de Goiânia sair do papel, o antigo município já tinha moradores, igreja, comércio e organização própria. Mais do que vizinha da nova cidade, a região forneceu parte do território escolhido para a construção da capital e serviu de apoio a quem trabalhava nas obras.
A formação da Campininha das Flores começou em 1810, 123 anos antes do lançamento da pedra fundamental de Goiânia, em 24 de outubro de 1933. Na década de 1920, o povoado já reunia cerca de 4 mil habitantes, além de casas, escolas, instituições religiosas e atividades comerciais. A região cresceu ao redor da atual Basílica Nossa Senhora da Conceição e tinha na Praça Coronel Joaquim Lúcio um dos principais pontos de convivência e da vida política local. Campinas passou por diferentes etapas administrativas até se tornar município, com estrutura e dinâmica próprias.
A escolha do local para a nova capital ocorreu após Pedro Ludovico Teixeira assumir o governo de Goiás, na década de 1930. Uma comissão analisou diferentes áreas do estado e indicou uma região próxima a Campinas como adequada para receber a cidade planejada. Em maio de 1933, o governo definiu as terras das fazendas Crimeia, Vaca Brava e Botafogo, então pertencentes ao município de Campinas, para a construção da nova capital. Cinco meses depois, em 24 de outubro, foi lançada a pedra fundamental de Goiânia.
Entre as construções que atravessaram essa transformação está uma residência erguida em 1925, no Setor Campinas. Apontado como o imóvel mais antigo de Goiânia, o casarão foi construído pelo alemão Karl Bartolomeo Steger, oito anos antes do início oficial da construção da capital. Em 2026, a casa completa 101 anos. Quando foi construída, Goiânia ainda não havia sido fundada, e Campinas era um município independente. A residência passou a fazer parte da capital depois que o antigo município foi incorporado à nova cidade.
Durante os primeiros anos das obras, Goiânia ainda não contava com toda a infraestrutura necessária para receber os trabalhadores que chegavam à região. Campinas ajudou a suprir essa necessidade: oferecia moradia, alimentos, ferramentas, tecidos e outros produtos essenciais para o dia a dia. Casas do antigo município também foram utilizadas para abrigar repartições públicas, enquanto a Vila Operária recebeu parte dos trabalhadores envolvidos na construção.
Com a consolidação de Goiânia, Campinas perdeu a autonomia municipal e passou a integrar a capital. A região manteve, porém, sua importância comercial, especialmente no entorno da Avenida 24 de Outubro, que se tornou um dos principais corredores de lojas e serviços da cidade.
Além da casa de 1925, Campinas preserva lugares que ajudam a contar sua trajetória. Entre eles estão a Basílica Nossa Senhora da Conceição, a Praça Coronel Joaquim Lúcio, o Centro Cultural Gustav Ritter, o Mercado de Campinas, inaugurado em 1954, o Estádio Antônio Accioly e o Cemitério Santana. No aniversário da capital, a história do bairro e de sua casa centenária lembra que a cidade planejada nasceu em uma região que já tinha passado, moradores e vida própria. Goiânia completa 93 anos, mas Campinas começou a escrever sua história há 216.
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