Governo Lula anuncia pacote de R$ 143,7 bilhões e medidas geram debate sobre impacto na economia
Ampliação de crédito, subsídios e programas sociais em ano eleitoral divide opinião de economistas e acende alerta sobre inflação e juros
Por Redação Goiás Agora
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um conjunto de 11 medidas econômicas que somam R$ 143,7 bilhões em 2026, movimentando o cenário político e econômico do país. O pacote inclui ampliação de linhas de crédito, subsídios para combustíveis, liberação de recursos do FGTS e reforço de programas sociais, em meio ao avanço das articulações para as eleições presidenciais.
Segundo levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo, a maior parte dos recursos — cerca de R$ 76,2 bilhões — será destinada à ampliação de linhas de crédito para pessoas físicas e empresas de setores como habitação, indústria e agronegócio. Entre os beneficiados estão caminhoneiros, microempreendedores individuais (MEIs) e estudantes do Fies.
O governo também autorizou até R$ 32 bilhões em subsídios e renúncias fiscais para conter o impacto da alta internacional do petróleo sobre os combustíveis. A medida ocorre em meio às tensões internacionais envolvendo a guerra no Irã e o aumento da pressão sobre os preços da gasolina, diesel e gás de cozinha.
Outros R$ 15,2 bilhões serão liberados do FGTS, enquanto R$ 5,3 bilhões serão destinados ao programa Gás do Povo, voltado para famílias de baixa renda. Já o programa Desenrola 2 contará com aporte de até R$ 15 bilhões no Fundo Garantidor de Operações (FGO), administrado pelo Banco do Brasil, para garantir renegociações de dívidas.
Governo nega caráter eleitoreiro
O avanço das medidas coincidiu com o crescimento do pré-candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, nas pesquisas eleitorais. A movimentação gerou comparações com ações adotadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante a campanha de 2022.
Integrantes do governo, no entanto, rejeitam a classificação de “pacote eleitoreiro”. Em entrevistas recentes, ministros da área econômica afirmaram que as iniciativas são uma resposta ao elevado endividamento das famílias e aos efeitos econômicos da manutenção da taxa Selic em patamares elevados.
Em nota, o Ministério da Fazenda afirmou que o governo aprovou dezenas de medidas econômicas desde o início da atual gestão e destacou ações consideradas estruturais, como a reforma tributária, o arcabouço fiscal e mudanças na tributação de fundos exclusivos e offshores.
Economistas alertam para pressão inflacionária
Especialistas da área fiscal e econômica demonstraram preocupação com os impactos das medidas sobre a inflação e sobre a política monetária conduzida pelo Banco Central do Brasil.
Analistas avaliam que o aumento de estímulos à economia pode dificultar a redução da taxa básica de juros, além de pressionar ainda mais as contas públicas.
O economista Tiago Sbardelotto, da XP Investimentos, afirmou que recursos antes imobilizados em fundos passam a circular na economia, ampliando a oferta de crédito e renda. Já o ex-secretário do Tesouro Nacional Jeferson Bittencourt avaliou que o governo poderia utilizar parte das receitas extras do petróleo para reduzir a dívida pública.
Segundo ele, há um desalinhamento entre as medidas do governo e a estratégia do Banco Central. “Enquanto o BC tenta desacelerar a atividade econômica para controlar a inflação, o governo continua estimulando o consumo”, afirmou.
O economista Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, também questionou a eficácia das novas medidas, especialmente do Desenrola 2. Para ele, os estímulos fiscais podem manter os juros elevados por mais tempo e ampliar os riscos inflacionários.
Novas medidas podem ser anunciadas
O governo ainda estuda novos programas voltados para trabalhadores informais, taxistas, motoristas de aplicativos e pessoas com empréstimos considerados caros, mas que mantêm pagamentos em dia.
Durante evento recente, Lula voltou a cobrar mais ações econômicas da equipe ministerial e brincou com a capacidade do ministro do Planejamento, Bruno Moretti, de encontrar recursos no orçamento para financiar novos programas.
O pacote segue no centro do debate econômico e político em Brasília, em um momento em que o governo busca equilibrar crescimento econômico, popularidade e controle fiscal às vésperas da disputa eleitoral de 2026.
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