Joice Hasselmann anuncia voto em Lula e diz que Bolsonaro tentou matá-la
Ex-líder do governo no Congresso relata rompimento com o bolsonarismo e afirma que decisão é pela defesa da democracia
A ex-deputada federal Joice Hasselmann publicou um vídeo intitulado "Bolsonaro tentou me matar", no qual relata as agressões que sofreu em 2021 e anuncia voto no presidente Lula no segundo turno, marcado para domingo (25). A ex-líder do governo no Congresso afirmou que a decisão é motivada pela defesa da democracia, apesar das divergências políticas que mantém com Lula e o PT.
"Afinal, perder uma eleição, tudo bem. Perder a democracia, jamais", declarou. Joice apresentou o voto como uma escolha pela preservação das condições que permitem o debate político e o exercício da oposição. "Voto em Lula, sem meias palavras, sem hipocrisia", afirmou.
No vídeo, a ex-parlamentar relembrou sua trajetória de enfrentamento ao PT e sua participação na campanha de Jair Bolsonaro em 2018. "Em 2018, acreditei em Bolsonaro, sim", disse. Segundo seu relato, a decepção ocorreu ainda no primeiro ano da gestão, quando a convivência com o núcleo familiar e aliados do ex-presidente revelou práticas incompatíveis com as promessas que a levaram a apoiar o projeto. "Eu vi o clã por dentro", afirmou. Ao reconhecer sua responsabilidade na ascensão do ex-presidente, acrescentou: "Eu errei em ajudar, mas não poderia ficar de braços cruzados".
Joice afirmou que o rompimento foi acompanhado de perseguições, agressões e ataques à sua reputação. Relatou ter perdido poder, aliados e base política, além de ter sido grampeada e espancada em 2021, quando seu apartamento foi invadido. A ex-deputada também declarou que denunciou a existência de uma minuta de golpe ainda em 2019 e que levou a informação ao então presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. "Esta minuta já existia no primeiro ano de governo", sustentou.
O argumento central da declaração de voto é a distinção entre divergências políticas e ameaça à democracia. Joice afirmou que continua discordando da esquerda, mas considera que essas diferenças podem ser enfrentadas dentro das instituições. "Hoje posso confirmar: os dois lados não são iguais", disse. Sobre o campo político ao qual se opôs durante décadas, afirmou que ele tem ideias que combate, "mas dentro das regras da democracia".
A ex-deputada fez duras acusações contra a família Bolsonaro e sustentou que o grupo representa risco à alternância de poder. Em sua avaliação, uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia abrir caminho para a continuidade do domínio familiar sobre a Presidência durante décadas, além de assalto aos cofres públicos.
Joice afirmou estar consciente das consequências pessoais e políticas de seu posicionamento. Previu críticas, rompimentos de amizades e fechamento de portas, mas disse que esses custos não a farão recuar. A ex-deputada ressaltou que seu voto não representa adesão ao programa do PT e que sua intenção é retomar a oposição depois da eleição, com a garantia de poder exercê-la em um ambiente democrático.
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