Meta nega favorecer Flávio Bolsonaro e atribui falhas a problema global
Empresa responde ao TSE após campanha de Lula denunciar restrições; companhia diz que contadores de visualizações falharam em mais de cem países.
A Meta reconheceu problemas técnicos em anúncios e publicações da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas rejeitou a acusação de usar suas plataformas para favorecer Flávio Bolsonaro (PL). Em manifestação apresentada na segunda-feira (12), a empresa negou que os critérios de distribuição de conteúdo no Facebook e no Instagram sejam orientados por preferência política.
A resposta ocorre após a campanha petista recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e denunciar restrições que, segundo a equipe, prejudicaram sua comunicação com os eleitores. A coligação também informou ter acionado a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
“Os sistemas de distribuição de conteúdo da Meta não operam segundo critérios ideológicos”, afirmou a companhia no documento, conforme a CNN Brasil. A empresa sustenta que suas regras são aplicadas igualmente às candidaturas.
Uma das explicações apresentadas pela Meta trata dos contadores de visualizações dos Reels, os vídeos curtos do Instagram. Segundo declaração técnica citada pelo Metrópoles, um problema nos sistemas de contabilização ocorreu entre 15h50 e 20h49 de quarta-feira (7). Nesse intervalo, os números exibidos poderiam aparecer zerados ou permanecer sem atualização.
A companhia afirma que o defeito atingiu criadores de conteúdo em mais de cem países e não interrompeu a distribuição dos vídeos. Também sustenta que, naquele dia, as publicações do perfil oficial de Lula foram distribuídas acima do padrão recente da própria conta.
Os petistas afirmam que os problemas se repetem desde dezembro de 2025, quando o perfil de Lula e contas de outras lideranças de esquerda teriam sofrido restrições nas buscas do Instagram. A denúncia também menciona a desativação da conta de anúncios durante o primeiro turno e o impedimento de impulsionar publicações em 9 de outubro.
Para a campanha, a sucessão dos episódios levanta suspeitas de tratamento desigual entre os candidatos. A equipe contesta a justificativa de falhas técnicas e cobra demonstração de que os problemas também atingiram outros anunciantes e concorrentes no Brasil.
No sábado (10), o ministro Marco Aurélio Bellizze deu 48 horas para a Meta prestar esclarecimentos. A decisão determinou a preservação dos registros de moderação, dos dados de anúncios e das métricas relacionados ao caso. O ministro observou que a apuração depende de informações controladas pela própria plataforma.
Entre as exigências estão o detalhamento de medidas aplicadas aos perfis mencionados pela campanha desde 16 de agosto e a justificativa para a desativação da conta publicitária em 23 de setembro. O tribunal também pediu explicações sobre eventuais alterações na contagem de visualizações.
A representação cita ainda uma rede de 255 perfis que, segundo a coligação, usaria inteligência artificial para divulgar ataques a Lula e à primeira-dama Janja. A campanha atribui a essas contas cerca de 58 milhões de visualizações. O TSE solicitou que a Meta informe se identificou a rede e quais providências adotou.
Na resposta, a empresa pediu mais 48 horas para apresentar as medidas aplicadas aos perfis oficiais de Lula, sob a justificativa de que a consulta aos registros internos ainda estava em andamento.
O despacho prevê manifestação da coligação e da Procuradoria-Geral Eleitoral, com prazo de 24 horas para cada uma após a resposta da plataforma. A análise do pedido de urgência foi prevista para depois dessas etapas.
Leia mais notícias sobre Política no Goiás Agora e fique por dentro de tudo!
Avalie esta notícia
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar nesta matéria.