Mistério na Amazônia: Os segredos da 'Operação Prato' e o pânico do fenômeno Chupa-Chupa
Em 1977, a Força Aérea Brasileira montou uma investigação sem precedentes para apurar luzes misteriosas e supostos ataques a moradores no interior do Pará e Maranhão.
Por Redação Goiás Agora
No final da década de 1970, o céu do norte do Brasil se tornou palco de um dos maiores mistérios já registrados no país. O que começou com relatos isolados de pescadores e lavradores rapidamente se transformou em uma onda de terror que paralisou cidades inteiras no Pará e no Maranhão, obrigando a Força Aérea Brasileira (FAB) a intervir com uma missão oficial: a chamada Operação Prato.
Entre outubro e dezembro de 1977, agentes de inteligência militar foram deslocados para a região do município de Colares (PA) para investigar aparições de Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs) e apurar as denúncias de que "corpos luminosos" estavam atacando a população civil.
O Terror do "Chupa-Chupa"
O pânico se espalhou pelos povoados após a imprensa local noticiar encontros traumáticos com estranhas luzes voadoras. A população apelidou o fenômeno de "chupa-chupa". Relatos apontavam que focos de luz perseguiam moradores, causando queimaduras e, segundo a lenda local, sugando o sangue e a vitalidade das vítimas.
O medo era tão grande que vilarejos inteiros mudaram sua rotina. Moradores organizavam procissões noturnas, soltavam fogos de artifício e até davam tiros para o alto na tentativa de afugentar as luzes. Na Baixada Maranhense e no litoral paraense, hospitais registraram a entrada de pessoas com crises nervosas, desmaios e ferimentos atípicos.
O Trágico Antecedente
O epicentro dessa onda ufológica parece ter raízes em um evento trágico ocorrido em abril de 1977, na desabitada Ilha dos Caranguejos, no Maranhão. Quatro homens que coletavam madeira foram surpreendidos de madrugada. Um deles amanheceu morto na rede, enquanto outros dois apresentavam graves queimaduras de segundo grau. Os sobreviventes relataram apenas ter visto "um fogo" antes de desmaiarem. O caso nunca foi totalmente esclarecido pelas autoridades.
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A Investigação Militar da FAB
Pressionado por prefeitos da região, o I Comando Aéreo Regional (I COMAR), sediado em Belém, enviou agentes de inteligência descaracterizados para a região de Colares. Equipados com câmeras, binóculos, teodolitos e gravadores, os militares passaram semanas fazendo vigílias noturnas.
A equipe, que chegou a ser chefiada pelo capitão Uyrangê Hollanda, documentou centenas de observações. Os relatórios oficiais descrevem as luzes avistadas como objetos capazes de manobras impossíveis para as aeronaves da época, emitindo feixes de luz direcionados. Em um dos relatórios, o sargento Flávio Costa (um dos agentes em campo) chegou a registrar que os corpos celestes pareciam ser "inteligentemente dirigidos".
Histeria Coletiva ou Seres Extraterrestres?
Apesar de ufólogos defenderem que os arquivos provam o contato com seres alienígenas, os documentos militares também lançam um olhar pragmático e psicossocial sobre o evento. Os relatórios da FAB apontam que o pânico foi fortemente alimentado pelo sensacionalismo da imprensa local.
Os militares descreveram o cenário como uma "histeria coletiva" que afetava uma população de origem humilde e fortemente influenciada por crendices locais. Anos mais tarde, em 2007, o filho de um dos sargentos envolvidos na operação chegou a declarar que manipulou e ampliou pontos de luz nos negativos das fotos militares para que parecessem "discos voadores" durante a revelação no laboratório.
A Operação Prato foi encerrada oficialmente no final de 1977, embora o monitoramento aéreo tenha continuado de forma sigilosa ao longo de 1978. Hoje, grande parte desse acervo histórico — que mistura fenômenos inexplicáveis e forte paranoia social — está desclassificada e disponível para consulta pública no Arquivo Nacional, em Brasília.
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