Goiânia, Quinta-feira, 22 de outubro de 2026
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PF acha sala oculta com máquina de contar dinheiro em hangar de amigo de Flávio Bolsonaro

Compartimento escondido atrás de parede de madeira foi localizado em hangar do aeroporto de Brasília usado por empresas de Willer Tomaz; advogado nega irregularidade

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PF acha sala oculta com máquina de contar dinheiro em hangar de amigo de Flávio Bolsonaro

A Polícia Federal localizou uma sala com acesso oculto em um hangar do Aeroporto Internacional de Brasília utilizado por empresas de aviação do advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No compartimento, os agentes encontraram equipamentos para armazenar e movimentar dinheiro, entre eles uma máquina de contar cédulas e malas destinadas ao transporte de grandes quantias. Não havia dinheiro em espécie no cômodo.


A descoberta foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo Diário da Manhã. O espaço foi achado durante diligências da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sob autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.


Segundo os relatos sobre a investigação, a PF recebeu denúncia anônima sobre a existência de um ambiente escondido no hangar. Ao retornar ao local, os agentes fizeram inspeção direcionada e identificaram sinais de alteração em uma das paredes do escritório. Atrás de um revestimento de madeira, havia uma porta metálica aparentemente blindada que dava acesso à sala. Além da máquina de contar cédulas e das malas vazias, os policiais encontraram prateleiras para armazenamento de objetos e valores.


A corporação pediu perícia para coletar impressões digitais e identificar possíveis usuários do espaço. Os investigadores também querem esclarecer se houve retirada de dinheiro entre a saída das equipes policiais e o retorno ao hangar.


As diligências ocorreram em 7 de agosto, nos hangares 36 e 37 da área executiva do aeroporto. Na ocasião, os agentes apreenderam quatro aeronaves vinculadas às empresas de Willer Tomaz — dois helicópteros e dois aviões —, que permaneceram retidos. A PF também recolheu listas de passageiros e diários de bordo dos últimos anos, material que está sendo analisado para identificar quem utilizava as aeronaves, empregadas em serviços de táxi aéreo.


Willer Tomaz afirmou que a sala e os equipamentos fazem parte da estrutura operacional destinada ao atendimento de empresas de transporte de valores e clientes de suas companhias de aviação. Em nota, declarou que o ambiente está sujeito a protocolos de segurança, controle e custódia previstos na regulamentação do setor e que a presença de compartimentos protegidos, malotes e máquinas de contagem é compatível com a atividade empresarial. O advogado negou irregularidades e classificou como fantasiosa a suspeita de que o espaço seria usado para guardar ou contar dinheiro de origem ilícita.


A descoberta ocorre em meio a outra frente de apuração envolvendo Tomaz e Flávio Bolsonaro. Na semana passada, a PF encaminhou ao STF pedido de abertura de inquérito para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado. O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado para analisar o caso. Até o momento, o pedido aguardava manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou decisão judicial. A campanha de Flávio afirmou à Folha de S.Paulo que o senador não é investigado no Supremo.


Outra frente apura viagens de Flávio à Europa em 2025. Reportagem da Folha apontou que uma empresa do setor de apostas de Tomaz pagou os voos do senador, atuando como intermediária na compra das passagens. A PF também identificou que Flávio tinha acesso operacional como usuário master a uma conta da Alcazar Holding, offshore da qual Willer é sócio; em maio de 2025, foi solicitada a exclusão do acesso. Questionado, Flávio declarou que sua relação com Willer é exclusivamente de amizade.


Willer Tomaz é investigado sob suspeita de envolvimento em repasses de recursos de fraudes contra a Previdência Social. Ele também é proprietário da Rede Loto, empresa de apostas autorizada a operar no Rio de Janeiro em maio de 2023. A existência de suspeitas e a realização de diligências policiais não representam, por si só, comprovação de crime.

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Tags: #Aeroporto de Brasília #Flávio Bolsonaro #Operação Sem Desconto #Polícia Federal #Willer Tomaz

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