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Sedentarismo ainda é desafio global e afeta milhões de pessoas, apontam estudos

Pesquisas publicadas nas revistas Nature mostram que um terço dos adultos e 80% dos adolescentes não atingem níveis recomendados de atividade física.

09/03/2026 15:49
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Sedentarismo ainda é desafio global e afeta milhões de pessoas, apontam estudos

Fazer atividade física regularmente traz diversos benefícios à saúde, como o fortalecimento do sistema imunológico, redução do risco de doenças infecciosas, diminuição de sintomas de depressão e melhora nos resultados de tratamentos contra o câncer. Apesar disso, uma grande parcela da população mundial ainda não pratica exercícios com frequência, e os níveis globais de atividade física permanecem praticamente inalterados nas últimas duas décadas.

As conclusões fazem parte de três estudos publicados nas revistas científicas Nature Medicine e Nature Health. As pesquisas indicam que, embora existam políticas públicas voltadas à promoção da atividade física, os esforços atuais ainda são insuficientes e exigem ações mais coordenadas para que a prática contribua efetivamente para a saúde pública e para outros objetivos sociais.

De acordo com os estudos, cerca de um em cada três adultos e oito em cada dez adolescentes no mundo não cumprem as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). As diretrizes indicam pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada para adultos e 60 minutos diários para crianças e adolescentes.

Os pesquisadores estimam ainda que mais de cinco milhões de pessoas morram todos os anos no mundo em decorrência do sedentarismo.

Um dos artigos, assinado pela pesquisadora Deborah Salvo, especialista em atividade física e saúde pública, analisou dados de 68 países, incluindo Brasil, Austrália, China, França, Alemanha, Países Baixos, Reino Unido e Estados Unidos. O estudo identificou desigualdades persistentes na forma como diferentes grupos sociais praticam atividades físicas.

Segundo a pesquisa, o acesso ao lazer ativo — como exercícios recreativos praticados por escolha — é cerca de 40 pontos percentuais maior entre grupos socialmente favorecidos, como homens com maior renda em países ricos, em comparação com mulheres de baixa renda em países menos desenvolvidos. Já atividades físicas motivadas por necessidade econômica, como trabalhos físicos intensos ou deslocamentos longos no transporte público, são mais comuns entre populações mais vulneráveis.

O estudo também utilizou dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do Brasil para ilustrar essas desigualdades. No país, há diferenças significativas na prática de atividade física entre diferentes grupos sociais:

  • 9 pontos percentuais entre homens e mulheres;
  • 13,4 pontos percentuais entre os mais ricos e os mais pobres;
  • 2,2 pontos percentuais entre pessoas brancas e pretas ou pardas;
  • 26,6 pontos percentuais entre pessoas com maior e menor escolaridade.

De maneira geral, pessoas com maior renda e nível educacional tendem a praticar mais atividades físicas.

O Brasil também se destaca nos estudos como um dos polos mundiais de pesquisa sobre atividade física e saúde pública. Mais de dez cientistas brasileiros participaram das pesquisas internacionais. Entre as instituições citadas estão a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e a Universidade Estadual de Londrina.

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Outro artigo, publicado na Nature Health, aponta que a atividade física também pode contribuir para enfrentar as mudanças climáticas. Segundo os pesquisadores, incentivar caminhadas, uso de bicicletas e transporte público pode reduzir emissões de carbono e tornar as cidades mais sustentáveis.

Os autores destacam ainda que comunidades fisicamente ativas tendem a ser mais resilientes diante de eventos climáticos extremos, como ondas de calor e desastres naturais.

Entretanto, os estudos identificam quatro grandes obstáculos globais: desigualdade de acesso, falta de espaços seguros para prática de exercícios — como ciclovias, parques e calçadas —, pouca integração entre ciência e políticas públicas e possíveis efeitos indiretos das mudanças climáticas, que podem dificultar a prática de atividades ao ar livre.

Por isso, os pesquisadores defendem a adoção de estratégias amplas que integrem áreas como saúde, transporte, urbanismo, educação e meio ambiente.

Em outro levantamento, os cientistas analisaram 661 documentos de políticas nacionais de promoção da atividade física em 200 países, publicados entre 2004 e 2025. Embora a maioria dos países tenha criado políticas para incentivar exercícios, a implementação prática ainda é limitada.

Segundo o estudo, apenas 38,7% das políticas analisadas envolvem ações de três ou mais setores do governo, e 26,5% dos países não estabeleceram metas mensuráveis para avaliar os resultados dessas iniciativas.

Os pesquisadores concluem que a atividade física ainda é tratada principalmente como uma responsabilidade individual, quando na realidade se trata de um desafio estrutural que exige políticas públicas integradas e maior cooperação entre diferentes setores da sociedade.

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