Setealém: a dimensão sombria das lendas urbanas explicada por especialistas
Professora de folclore e psicólogo detalham a origem do termo, teorias e relatos de pessoas que afirmam ter visitado a dimensão paralela
Setealém é uma dimensão paralela descrita em relatos como um lugar de aparência escura e suja, habitado por pessoas com características físicas distintas, como olhos fundos e completamente pretos. O termo, segundo a professora de Folclore e Lendas Urbanas Luciana do Rocio Mallon, foi criado pelo escritor Luciano Milici para designar experiências materiais em outras dimensões. "A palavra Setealém tem duas partes: 'sete' e 'além'. Na Cabala, sete é o número da espiritualidade. Mas 'além' significa lugar em outra dimensão espiritual. O setealém descrito nas lendas da internet não tem nada a ver com o céu, ao contrário, é bem obscuro", explica.
A professora conta que estudiosos da espiritualidade associam a dimensão a um umbral, uma espécie de purgatório com características semelhantes às nossas, mas habitado por pessoas macabras e frias. "Muitas seitas espiritualistas afirmam que Setealém é o umbral. Quando dormimos e sonhamos profundamente, o cérebro entra em um universo onírico, e a mente viaja para outras dimensões, uma delas é o Setealém", diz. Ela também relaciona o termo a "beleléu", lugar para onde vão os objetos perdidos, e do qual apenas São Longuinho teria autorização para devolvê-los.
Algumas teorias ligam Setealém a locais como o Triângulo das Bermudas, onde desaparecimentos misteriosos são atribuídos a portais para a dimensão. "Há relatos de pessoas que reapareceram para suas famílias após anos e afirmaram ter estado numa terra estranha com pessoas esquisitas", conta Luciana. Outra teoria sugere que os personagens do desenho Caverna do Dragão estariam presos em Setealém.
O fenômeno também é associado ao efeito Mandela, definido pelo psicólogo Leonardo Teixeira como uma memória coletiva incorreta. "É um fenômeno psicológico em que um grande número de pessoas se lembra de algo de maneira diferente do que é geralmente aceito como verdade. Foi utilizado pela primeira vez por Fiona Broome em 2010, quando notou que muitas pessoas compartilhavam uma memória incorreta da morte de Nelson Mandela na prisão", explica. Segundo ele, a internet e fatores psicológicos como confusão de memória e sugestão contribuem para o fenômeno.
A jornalista Kaísa Romagnoli relata uma experiência que acredita ter sido em Setealém. Durante uma viagem no Paraná, o GPS e os celulares pararam de funcionar, e ela e a família se perderam. "Passamos por um posto de atendimento vazio, e depois, ao voltar, o mesmo local estava cheio de gente e luzes acesas. Fizemos dois percursos em menos de 10 minutos, algo impossível pela distância", conta. Ela também relata que, em um posto de gasolina, realizaram várias tarefas em apenas 10 minutos. "Até hoje não sei o que aconteceu naquela viagem. Foi a experiência mais maluca da minha vida", conclui.
Luciana afirma que, segundo os espiritualistas, a saída de Setealém exige não brigar com os habitantes e perguntar pacificamente onde é a saída. Ela mesma diz ter vivido uma experiência em Colombo, no Paraná, nos anos 90, quando se perdeu e foi orientada por uma idosa a voltar para a estrada. "Anos depois descobri que estive em Setealém e só consegui voltar porque obedeci a idosa", revela.
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