Tempo seco resseca olhos e exige cuidados redobrados, alerta oftalmologista
Baixa umidade do ar favorece evaporação da lágrima e provoca ardência, coceira e sensação de areia nos olhos; especialista orienta sobre prevenção e quando buscar atendimento
A redução da umidade do ar durante o período de estiagem deixa os olhos mais suscetíveis ao ressecamento e à irritação. Segundo a oftalmologista Dra. Kamylla Rocha, a baixa umidade favorece a evaporação da lágrima e pode provocar sintomas como ardência, coceira, sensação de areia ou corpo estranho, sensibilidade à luz, lacrimejamento e visão levemente embaçada.
“Quando o clima está mais seco, a lágrima evapora mais rapidamente. O olho fica mais exposto e tende a apresentar mais irritação, inflamação e desconforto”, explica a especialista.
O ressecamento também pode causar lacrimejamento. De acordo com a médica, isso ocorre como uma resposta do organismo à irritação: o olho aumenta a produção de lágrimas para recuperar a lubrificação, mas elas podem evaporar rapidamente e não serem suficientes para combater o desconforto.
Grupos mais vulneráveis
Embora os efeitos do tempo seco possam atingir pessoas de todas as idades, idosos, usuários de lentes de contato e pessoas com condições relacionadas ao olho seco estão mais suscetíveis aos sintomas. Crianças também exigem atenção, já que nem sempre conseguem identificar ou comunicar o desconforto. Vermelhidão persistente, lacrimejamento excessivo e irritação devem ser avaliados por um oftalmologista.
O uso prolongado de celulares, computadores, tablets e televisores também pode agravar o ressecamento. Ao se concentrar nas telas, a pessoa tende a piscar menos, reduzindo a lubrificação natural dos olhos. “O ato de piscar é fundamental para lubrificar os olhos. Quando piscamos menos, principalmente durante o uso prolongado de telas, reduzimos essa lubrificação e podemos piorar os sintomas”, alerta Dra. Kamylla.
Medidas de proteção
Manter boa hidratação, evitar fumaça e poeira e não permanecer diretamente diante de ventiladores ou aparelhos de ar-condicionado ajudam a proteger os olhos. A umidificação dos ambientes também pode reduzir o desconforto, desde que os umidificadores sejam mantidos limpos e higienizados adequadamente.
Em alguns casos, o oftalmologista pode indicar lágrimas artificiais, mas a médica alerta contra o uso indiscriminado. “Colírio lubrificante não é tudo igual. Existem diferentes formulações, inclusive algumas com conservantes que precisam ser utilizadas com cautela. O ideal é que o produto seja indicado por um oftalmologista, de acordo com a necessidade de cada paciente”, orienta.
Usuários de lentes de contato devem redobrar os cuidados durante a estiagem, pois o ressecamento pode aumentar o desconforto e, quando as lentes não são utilizadas ou higienizadas corretamente, favorecer inflamações e infecções. Outro hábito que deve ser evitado é coçar ou esfregar os olhos, o que pode aumentar a irritação e a inflamação.
Quando procurar atendimento
Dor, vermelhidão intensa ou persistente, coceira excessiva e alterações na visão merecem atenção e devem ser avaliadas por um oftalmologista. “Uma irritação leve e passageira pode ocorrer durante o período seco, mas sintomas como vermelhidão intensa, coceira persistente, dor ou alterações na visão não devem ser ignorados”, alerta a especialista.
Dra. Kamylla reforça que a prevenção é importante para preservar a saúde ocular. “A hidratação dos olhos tem um papel importante não apenas na manutenção da superfície ocular, mas também na qualidade da visão. Cuidar da saúde ocular e realizar avaliações periódicas são medidas importantes para prevenir problemas e preservar a visão”, conclui.
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