Tosse persistente e falta de ar podem ser sinais de câncer de pulmão, alertam especialistas
Campanha Agosto Branco reforça importância do diagnóstico precoce; doença continua sendo a principal causa de mortes por câncer no Brasil
Por Redação Goiás Agora
Uma tosse que persiste por várias semanas, falta de ar progressiva, rouquidão sem causa aparente ou até catarro com sangue podem parecer sintomas de problemas respiratórios comuns, como gripe, bronquite ou alergias. No entanto, esses sinais também podem indicar câncer de pulmão, doença que ainda é diagnosticada, na maioria dos casos, em estágios avançados no Brasil.
Durante a campanha Agosto Branco, dedicada à conscientização sobre o câncer de pulmão, especialistas reforçam a importância de reconhecer os sintomas precocemente e procurar atendimento médico sempre que alterações persistirem.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 35,3 mil novos casos de câncer de pulmão, traqueia e brônquios por ano durante o triênio de 2026 a 2028. A doença segue como a principal causa de morte por câncer no país.
Diagnóstico precoce aumenta chances de cura
Um dos principais desafios é o diagnóstico tardio. Dados do Observatório de Oncologia apontam que entre 85% e 93% dos pacientes chegam aos serviços especializados quando a doença já está em estágio avançado. Apenas cerca de 15% dos casos são identificados precocemente.
Essa diferença impacta diretamente as chances de sobrevivência. Quando descoberto no início, o câncer de pulmão apresenta taxa de sobrevida em cinco anos de aproximadamente 56%. Na média nacional, esse índice é de cerca de 18%, refletindo o impacto da demora no diagnóstico.
Sintomas que merecem atenção
A pneumologista Heloisa Costa explica que o principal sinal de alerta é a persistência dos sintomas.
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Alcoolismo cresce de forma silenciosa e muitos brasileiros não percebem que já enfrentam uma dependênciaSegundo a especialista, uma tosse que dura mais de três semanas, falta de ar que se agrava com o tempo, dor no peito, rouquidão, presença de sangue no catarro e cansaço excessivo sem explicação devem ser avaliados por um médico.
Ela destaca que muitos pacientes atribuem esses sintomas a doenças respiratórias comuns, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento.
Doença também afeta quem nunca fumou
Embora o tabagismo continue sendo o principal fator de risco, especialistas alertam que o câncer de pulmão também pode atingir pessoas que nunca fumaram.
De acordo com a pneumologista, entre 10% e 20% dos casos ocorrem em pacientes sem histórico de tabagismo. Nessas situações, fatores como exposição à fumaça do cigarro, poluição do ar, gás radônio, contato ocupacional com amianto e sílica, além de alterações genéticas, podem estar associados ao desenvolvimento da doença.
Rastreamento pode salvar vidas
Para pessoas com maior risco, o rastreamento é considerado uma das principais estratégias para aumentar as chances de diagnóstico precoce.
O exame recomendado é a tomografia computadorizada de tórax de baixa dose, indicada principalmente para pessoas entre 50 e 80 anos que fumam atualmente ou que deixaram o cigarro após longo período de tabagismo.
Segundo os especialistas, o exame permite identificar tumores ainda muito pequenos, muitas vezes antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas.
Atenção aos sinais do organismo
Os médicos reforçam que ignorar sintomas persistentes pode reduzir significativamente as possibilidades de tratamento curativo.
A orientação é procurar avaliação médica sempre que alterações respiratórias persistirem por várias semanas, especialmente em pessoas com histórico de tabagismo ou exposição prolongada a fatores de risco.
Durante o Agosto Branco, a principal mensagem da campanha é que o diagnóstico precoce continua sendo um dos fatores mais importantes para aumentar as chances de tratamento e de sobrevivência dos pacientes com câncer de pulmão.
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