Trump faz ultimato ao Irã, ameaça 'civilização inteira' e oposição fala em crime de guerra
Presidente americano estipulou prazo até a noite desta terça-feira (7) para a reabertura do Estreito de Hormuz. Irã convoca população para formar escudos humanos em usinas.
Por Redação Goiás Agora
Em uma das ameaças mais contundentes ao regime e à população do Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na manhã desta terça-feira (7) que uma “civilização inteira” vai morrer caso as partes não cheguem a um acordo para a reabertura do Estreito de Hormuz nas próximas horas.
A declaração, que sugere destruição em larga escala, ocorre no momento em que a comunidade internacional manifesta fortes temores de que as ofensivas dos EUA configurem crimes de guerra. “Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”, escreveu Trump na plataforma Truth Social.
O Estreito de Hormuz, bloqueado pelo Irã em meio à guerra iniciada em 28 de fevereiro, é uma rota vital por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo mundial.
O Ultimato e os Alvos
O republicano vem reforçando o prazo dado à liderança persa: 21h desta terça-feira (pelo horário de Brasília). Segundo Trump, caso não haja a reabertura do canal até o fim do prazo, “todas as pontes e todas as usinas de energia” do Irã serão destruídas a partir da 1h de quarta-feira (8).
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Vaticano lança plataforma e pede que instituições católicas deixem de investir em mineraçãoAtaques diretos à infraestrutura civil são classificados por especialistas internacionais como crimes de guerra. Questionado em evento recente sobre essa possibilidade, Trump respondeu de forma incisiva: “Não [é crime de guerra], porque eles são animais”.
Segundo a Agência de Notícias dos Ativistas de Direitos Humanos (Hrana), pelo menos 3.546 pessoas já foram mortas desde o início da guerra, sendo 1.616 civis (incluindo 244 crianças). Apesar das tensões, a Casa Branca negou oficialmente que o presidente considere o uso de armas nucleares.
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Reações: Pedidos de destituição e condenação do Papa
As recentes declarações motivaram uma enxurrada de críticas de adversários, aliados e líderes religiosos:
- Oposição Americana: A deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez classificou a fala como "ameaça de genocídio" e pediu a destituição de Trump, alegando que suas faculdades mentais estão em colapso. O senador independente Bernie Sanders afirmou que os dólares americanos estão financiando graves violações do direito internacional.
- Aliados de Trump: A ex-congressista conservadora Marjorie Taylor Greene, antes aliada próxima, chamou a postura de “maldade e loucura”, afirmando que não se aniquila uma civilização inteira. A repercussão reacendeu o debate sobre a aplicação da 25ª Emenda, que prevê o afastamento do presidente por incapacidade.
- Vaticano: O Papa Leão XIV declarou que as ameaças são inaceitáveis. “Certamente há questões de direito internacional envolvidas, mas, muito além disso, trata-se de uma questão moral”, disse o pontífice.
Escudos humanos e nova liderança no Irã
Do lado iraniano, o recuo parece fora de cogitação. Teerã rejeitou uma recente proposta de cessar-fogo temporário, exigindo a interrupção total dos ataques e o pagamento de compensações pelos danos causados.
Em resposta à ameaça de Trump contra as usinas de energia, o regime iraniano pediu que a população forme correntes humanas para proteger as estruturas. O vice-ministro dos Esportes, Alireza Rahimi, convocou artistas e atletas: “Estaremos de mãos dadas para dizer: atacar infraestrutura pública é um crime de guerra”.
A dinâmica política interna do Irã também mudou. Após a morte do antigo líder supremo Ali Khamenei (assassinado no início do conflito), seu filho, Mojtaba Khamenei, assumiu o poder. Em suas redes sociais, Trump indicou que essa "mudança de regime" colocou mentes "menos radicalizadas" no poder, o que pode abrir uma janela final para negociações antes do fim do ultimato.
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