Goiânia, Sábado, 03 de outubro de 2026
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Cidades, Goiânia

Vítimas de procedimentos estéticos em Goiânia enfrentam dificuldade para tratar complicações

Fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva é investigada por lesões em 12 possíveis vítimas; pacientes relatam dores, infecções e falta de atendimento médico

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Vítimas de procedimentos estéticos em Goiânia enfrentam dificuldade para tratar complicações

Mulheres que afirmam ter sofrido lesões após procedimentos estéticos realizados pela fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva, em Goiânia, enfrentam uma nova barreira: encontrar médicos dispostos a tratar as complicações. Uma das vítimas, identificada como Rosa Silva, relata que procurou atendimento com dermatologista, mastologista e em uma unidade de pronto atendimento (UPA) após desenvolver dores intensas, inchaço, caroços no rosto, secreção e pus nos seios, mas ainda não conseguiu um acompanhamento que resolva o quadro.


"O SUS não quer nos ajudar. A gente vai lá, na hora que ele olha, que a gente conta a situação, já manda embora. O particular do mesmo jeito. Como é que a gente vai fazer agora? Para onde a gente vai?", questiona Rosa. Segundo ela, consultas, exames e medicamentos vêm sendo pagos do próprio bolso, enquanto serviços públicos e particulares, na sua avaliação, não têm oferecido o suporte necessário. A Polícia Civil investiga Magda e informa que já recebeu relatos de 12 possíveis vítimas.


Rosa procurou Magda no dia 21 de agosto para realizar uma harmonização facial e uma intervenção nos seios com uso de plasma retirado do próprio sangue e fios de sustentação. Também havia contratado a aplicação de 4 ml de ácido hialurônico no rosto. "Eu já tinha feito um procedimento com ela antes e deu tudo certo, além disso, ela me passou muita confiança, dizendo que eu ficaria linda", contou.


No dia seguinte, segundo Rosa, o rosto e os seios estavam muito inchados. Ela entrou em contato com a fisioterapeuta, que teria dito que era normal e que sumiria em 30 dias. A profissional prescreveu Prednisolona de 12 em 12 horas e Toragesic, além de indicar farmácias onde os remédios poderiam ser comprados sem receita. Também afirmou que ela poderia viajar e trabalhar normalmente, pois eram procedimentos simples.


Rosa ficou dois dias em casa e depois viajou a trabalho. Cerca de uma semana depois, em 29 de agosto, a situação nos seios piorou. Ela relata dores, surgimento de bolhas, saída de pus e febre. A vítima diz que voltou a contatar Magda e recebeu orientação para fazer compressas com água morna duas vezes ao dia, além de indicação de antibióticos. Foi orientada a procurar um posto de saúde caso o quadro piorasse.


"Fui ao consultório dela e ela fez perfurações nos dois seios para tirar a secreção. Foram aplicadas três doses de anestésico, mas não fizeram efeito. Eu sofri demais com ela espremendo o local", afirmou. Mesmo após o procedimento, os seios continuaram doloridos e com secreção.


As complicações também atingiram o rosto. Rosa afirma sentir dor intensa durante todo o dia e percebeu caroços nas duas têmporas, na mandíbula e nas bochechas. "Sinto como se estivesse espremendo e comprimindo o meu cérebro, e a dor é tanta que dói para comer, conversar e não consigo nem abrir a boca para escovar os dentes", relatou.


Na busca por tratamento, procurou uma dermatologista, que preferiu não intervir, devolveu o valor da consulta e indicou que ela buscasse outros especialistas. A vítima tentou marcar atendimento com outros médicos, mas encontrou dificuldade para conseguir vagas. Também passou por um mastologista, fez mamografia e ultrassom e recebeu orientação para continuar com compressas mornas, retirar a secreção e retornar em 20 dias, enquanto tomava antibiótico. Rosa afirma não conseguir fazer a compressão em casa por causa da dor.


Sem solução, procurou a UPA Buriti Sereno. Segundo ela, ao contar que havia feito o procedimento, um dos médicos perguntou imediatamente: "É da Magda?". Na unidade, outro profissional fez perfurações no rosto para retirar a secreção. Rosa afirma que não havia anestésico disponível e que sentiu dor muito forte. "Não tinha como pegar anestesia e eu gritei desesperadamente de dor. Saiu uma grande quantidade de pus e sangue antigo, que chegou a sujar a roupa dos médicos. Depois, a dor diminuiu por um período, mas o rosto voltou a encher, principalmente nas têmporas e na mandíbula", relata.


"E agora nem é caso de estética, é de saúde mesmo porque está atrapalhando no meu próprio trabalho. Como que eu vou trabalhar agora depois disso? Eu trabalho viajando. Como que eu vou fazer agora, entendeu?", questiona. Ela também relata dificuldades financeiras para continuar buscando atendimento. "Pra mim fazer esse procedimento, eu tive que guardar o dinheiro. São procedimentos caros. E agora? Vai ficar mais caro ainda e eu não tenho condição de arcar com toda despesa, porque é consulta particular, é remédio que tem que tirar do bolso, é exame, tudo é particular", diz.


Atualmente, Rosa afirma precisar usar chapéu para esconder o rosto e curativos nos seios por causa da secreção. "Hoje estou sem conseguir trabalhar direito, tendo que usar chapéu para esconder o rosto e curativos nos seios por conta da secreção que vaza. Minha autoestima acabou, estou me sentindo destruída como mulher. Só quero resolver essa situação e que ela pague na justiça por tudo o que fez comigo e com as outras vítimas", desabafa. Rosa também quer descobrir qual substância foi utilizada no procedimento. "Eu quero saber o que ela realmente injetou em mim".


A Polícia Civil investiga Magda Oliveira da Silva por suspeitas relacionadas à realização de procedimentos estéticos que, segundo relatos apresentados à investigação, teriam provocado lesões em pacientes. Entre os casos relatados estão procedimentos nas regiões íntima, facial, glútea e mamária. De acordo com a polícia, já são 12 possíveis vítimas. O delegado Alex Rodrigues informou que sete delas já haviam sido identificadas e outras cinco procuraram a polícia posteriormente. A investigação aponta relatos de cortes, queimaduras, sangramentos, infecções, necrose, perda de tecido e cicatrizes. A polícia também informou que alguns documentos médico-legais analisados apontam lesões provocadas por cortes ou calor.


Magda foi presa durante uma operação da Polícia Civil em 21 de setembro. No dia seguinte, a prisão foi mantida pela 4ª Vara de Garantias de Goiânia durante audiência de custódia. Segundo a investigação, Magda é fisioterapeuta e possui formação complementar em procedimentos de harmonização facial, corporal e íntima. A polícia apura ainda se ela teria realizado atividades que, segundo os investigadores, poderiam caracterizar o exercício irregular de outra profissão, como a prescrição e o fornecimento de medicamentos.


A defesa de Magda informou que o processo tramita em segredo de Justiça e, por isso, não vai comentar detalhes do caso fora do processo. Em nota, a assessoria afirmou que a fisioterapeuta "reitera sua total confiança nas instituições e no Poder Judiciário" e que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações. A defesa também informou que vai se manifestar exclusivamente nos autos do processo.

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