Alerta no Agro: União Europeia suspende importações de carnes e produtos animais do Brasil
Bloco alega falta de garantias no controle de antimicrobianos; medida entra em vigor em setembro e atinge de carne bovina a mel.
Por Redação Goiás Agora
O cenário para as exportações brasileiras ganhou um tom de incerteza nesta terça-feira (12/05). A União Europeia anunciou a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a enviar carnes e produtos de origem animal para o bloco. A medida, que passa a valer em 3 de setembro, pode travar o envio de carne bovina, frango, ovos, peixes, mel e até animais vivos.
Diferente do Brasil, vizinhos do Mercosul como Argentina, Paraguai e Uruguai seguem com sinal verde para exportar normalmente.
O Nó da Questão: O Uso de Antimicrobianos
O bloqueio não é sobre contaminação direta, mas sim sobre confiança e rastreabilidade. As autoridades europeias afirmam que o Brasil não provou de forma robusta como controla o uso de antimicrobianos na pecuária.
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Governo Lula anuncia pacote de R$ 143,7 bilhões e medidas geram debate sobre impacto na economia- O que são: Medicamentos usados para combater infecções, mas que na pecuária também servem como "melhoradores de desempenho" para acelerar o crescimento.
- O risco: O uso indiscriminado gera a resistência antimicrobiana, criando bactérias que não respondem mais aos tratamentos médicos em humanos.
- Política 'One Health': A restrição faz parte de uma estratégia europeia de segurança alimentar que integra a saúde humana, animal e ambiental.
Substâncias na Mira e Exigências Técnicas
O bloco europeu proíbe substâncias específicas que ainda geram dúvidas sobre sua eliminação total da cadeia produtiva brasileira. Entre elas estão:
- Virginiamicina
- Avoparcina
- Tilosina
- Espiramicina
- Avilamicina
- Bacitracina
Embora o governo federal tenha publicado uma portaria em abril proibindo parte desses medicamentos, a União Europeia considera que as garantias de monitoramento e a comprovação documental ainda são insuficientes.
Reação do Setor e o Fator Político
As entidades que representam o agronegócio já se mobilizaram para tentar reverter o quadro antes do prazo final em setembro:
- ABIEC (Carne Bovina): Destacou que o país possui sistemas robustos de controle e que as exportações seguem normais até a data-limite.
- ABPA (Aves e Suínos): Afirmou que o Brasil cumpre normas internacionais e prestará todos os esclarecimentos técnicos necessários.
- Exportadores de Mel: Criticam a falta de base técnica para a inclusão do produto na restrição.
Contexto Geopolítico: A decisão ocorre em um momento sensível, logo após o início provisório do acordo Mercosul-UE, que enfrenta forte resistência de produtores rurais europeus, especialmente na França.
O Caminho para a Reversão
Para evitar que as porteiras da Europa se fechem definitivamente em setembro, o Brasil tem dois caminhos: ampliar o banimento de mais medicamentos ou criar sistemas de rastreabilidade total. Esta segunda opção é a mais difícil, pois exige um controle milimétrico de cada fazenda e frigorífico, o que eleva os custos de produção.
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