Infarto em mulheres: sintomas atípicos causam confusão médica e aumentam letalidade
Dor no estômago, náusea e cansaço extremo costumam ser diagnosticados erroneamente como gastrite ou ansiedade. Doenças cardiovasculares já são a principal causa de morte feminina no Brasil.
Por Redação Goiás Agora
O infarto do miocárdio nas mulheres é frequentemente ignorado ou diagnosticado de forma tardia. Diferentemente da clássica dor no peito que irradia para o braço esquerdo — sintoma mais comum nos homens —, o corpo feminino costuma apresentar sinais que mascaram a gravidade da situação, levando médicos e pacientes a confundirem um ataque cardíaco com problemas gástricos, estresse ou crises de ansiedade.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) alerta, em documento publicado em 2025, que as doenças cardiometabólicas em mulheres são subdiagnosticadas e subtratadas. Atualmente, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte do público feminino no Brasil, superando todos os tipos de câncer. Apenas o infarto mata oito vezes mais do que o câncer de mama.
Sinais de alerta: Homens x Mulheres
Para facilitar a identificação, veja como os sintomas costumam se diferenciar:
Sintomas Clássicos (Mais comuns em homens)Sintomas Frequentes em MulheresDor forte e aperto no peitoDor na boca do estômago e queimaçãoDor irradiando para o braço esquerdoNáusea, vômitos e suor frioFalta de ar repentinaCansaço extremo e inexplicávelFormigamentoDor nas costas e no pescoço
Relatos de negligência e diagnósticos falhos
A confusão nos sintomas gera consequências fatais. Casos como o de Geralda Áurea Pereira, 63, que infartou após ser diagnosticada duas vezes com crise na vesícula e liberada do pronto-socorro, ilustram a gravidade do problema. Hoje, com 45% do coração comprometido, ela sobrevive à base de 15 remédios diários.
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Outras mulheres não tiveram a mesma sorte. Tammy Donin Bemquerer, 63, e Neide Braga, 75, morreram em 2025 após buscarem ajuda médica com queixas de queimação, enjoo e dores abdominais. Ambas receberam diagnósticos preliminares de intoxicação alimentar ou causas gástricas.
Segundo a médica Gláucia Moraes, diretora de Saúde da Mulher da SBC, a dor que se assemelha a uma gastrite pode ser, na verdade, uma isquemia da coronária direita. Ela ressalta que até 40% dos eletrocardiogramas iniciais em mulheres podem não apresentar alterações, exigindo exames complementares e observação clínica atenta, o que raramente acontece.
Por que as mulheres morrem mais?
Diversos estudos nacionais e internacionais comprovam que o infarto é mais letal no público feminino. Um levantamento do Hospital Oswaldo Cruz (2023) apontou um risco 24% maior de morte entre elas. Os motivos misturam fatores biológicos e sociais:
- Perda de proteção hormonal: Entre os 45 e 55 anos, com a chegada da perimenopausa e menopausa, as mulheres perdem o efeito protetor do estrogênio nas artérias.
- Biologia vascular: O infarto feminino pode envolver doenças na microcirculação (vasos tão pequenos que não aparecem no cateterismo padrão).
- Fatores de risco agravados: Hipertensão, tabagismo e obesidade são mais letais nelas. Além disso, as mulheres carregam vulnerabilidades reprodutivas, como complicações na gestação e síndrome dos ovários policísticos.
- Atraso no atendimento: Pesquisas mostram que as mulheres demoram, em média, 42 minutos a mais do que os homens para buscar ajuda. A tendência é minimizar a própria dor e priorizar o cuidado com a família.
- Falta de treinamento médico: Há uma lacuna na formação de médicos e enfermeiros para identificar o padrão de infarto feminino.
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