Juiz do TJSP é encontrado morto em carro incendiado em São João da Boa Vista
Gustavo de Castro Campos, de 45 anos, atuava na 2ª Vara de Mococa; Polícia Civil investiga morte suspeita
O juiz de Direito Gustavo de Castro Campos, de 45 anos, foi encontrado morto dentro de um carro em chamas na noite de quarta-feira (7), em uma estrada rural de São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. O magistrado atuava na 2ª Vara da Comarca de Mococa e integrava o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) havia cerca de 12 anos.
O veículo foi localizado na Estrada de Terra Euclides Dotta, em área da Fazenda Aliança. Trabalhadores rurais que passavam pelo local viram o automóvel em chamas e tentaram conter o fogo com uma retroescavadeira. Equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar foram acionadas. Após o controle das chamas, os agentes encontraram o corpo no banco do motorista. A identificação foi feita por documentos no veículo e por uma tatuagem no corpo, segundo autoridades e imprensa com acesso ao boletim de ocorrência.
A Polícia Civil instaurou investigação para apurar as circunstâncias da morte e a origem do incêndio. O caso está sob responsabilidade da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São João da Boa Vista e é tratado como morte suspeita. Na perícia preliminar, não foram encontrados sinais aparentes de ferimentos por arma de fogo ou arma branca, nem marcas de violência física. Os peritos ainda analisam outros elementos para determinar a dinâmica do ocorrido.
Um dos achados no automóvel chamou a atenção: um galão com forte odor de gasolina próximo aos pedais, enquanto o corpo também apresentava cheiro do combustível, conforme o registro policial. Não havia indicação de que objetos do magistrado tivessem sido levados; a aliança permanecia no dedo da vítima. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) de São João da Boa Vista, onde exames necroscópicos e outras análises periciais devem esclarecer a causa da morte e a sequência dos acontecimentos.
Até a manhã desta quinta-feira (8), ninguém havia sido preso e nenhuma hipótese havia sido oficialmente descartada pela investigação.
Carreira na magistratura
Gustavo de Castro Campos ingressou no TJSP após atuar como advogado por cerca de dez anos e como delegado da Polícia Civil do Espírito Santo. Em 2014, tornou-se juiz substituto na Justiça capixaba. Depois, passou por comarcas como Tambaú e Leme antes de assumir a 2ª Vara de Mococa. Documentos oficiais do TJSP confirmam sua atuação como titular da unidade.
Caso anterior envolvendo advogado
Em 2022, o magistrado foi alvo de uma representação por suposta ofensa à honra de um advogado durante uma sessão de julgamento. O caso chegou ao Órgão Especial do TJSP, que arquivou a acusação. Segundo informações do processo, a discussão começou durante um julgamento e envolveu críticas do advogado à condução dos trabalhos pelo juiz. O colegiado entendeu que houve comportamento provocativo do defensor e que a acusação contra o magistrado não se sustentou.
A investigação sobre a morte de Gustavo de Castro Campos está em fase inicial. A polícia deverá analisar os vestígios no veículo, os exames do IML, imagens eventualmente disponíveis na região e relatos de testemunhas para determinar o que aconteceu na estrada rural.
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