Goiânia, Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
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Saúde

Retatrutida promove perda de peso de até 20,8% em estudo de fase 3

Medicamento experimental da Eli Lilly para diabetes tipo 2 e obesidade também reduziu hemoglobina glicada e fatores de risco cardiovascular, segundo dados publicados no The Lancet

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Retatrutida promove perda de peso de até 20,8% em estudo de fase 3

A retatrutida, medicamento experimental da Eli Lilly para diabetes tipo 2 e obesidade, proporcionou perda de peso substancial e reduções na hemoglobina glicada (A1C) em um estudo de fase 3. Os dados do estudo TRIUMPH-2 foram apresentados na 62ª Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), em Milão, na Itália, e publicados simultaneamente na revista científica The Lancet.


Participantes que tomaram as doses de 4 mg, 9 mg e 12 mg perderam, em média, 13,5 kg (12,7%), 20,6 kg (19,1%) e 22,5 kg (20,8%), respectivamente. Entre os que tinham IMC inicial igual ou superior a 35, a dose de 12 mg resultou em perda média de 27,5 kg (23,4%). Ao final do estudo, 59,5% dos participantes que receberam a dose mais alta não atendiam mais aos critérios de IMC para obesidade.


Para comparação, dados de fase 3 do Mounjaro, da mesma fabricante, mostraram reduções médias de peso de 19,5% (10 mg) e 20,9% (15 mg) em adultos com obesidade.


Além do efeito sobre o peso, a retatrutida reduziu os níveis de glicose. As doses de 9 mg e 12 mg diminuíram a A1C em média 1,6% e 1,5%, respectivamente, enquanto a de 4 mg reduziu 1,4%. Até 40% dos participantes atingiram níveis glicêmicos considerados normais.


O medicamento também melhorou fatores de risco cardiovascular. A dose mais alta proporcionou reduções médias de 39,5% nos triglicerídeos, 19,6% no colesterol não-HDL, 10,8 mmHg na pressão arterial sistólica, 16,9 cm na circunferência da cintura e 58,3% na proteína C-reativa de alta sensibilidade.


Os eventos adversos mais comuns foram diarreia, náusea, constipação, diminuição do apetite, vômito, disestesia e infecções do trato urinário. Em geral, foram de intensidade leve a moderada e a maioria se resolveu durante o tratamento.


Segundo Juan P. Frías, diretor médico e investigador principal do Los Angeles Institute for Metabolic Research, a maioria das pessoas com diabetes tipo 2 também vive com obesidade, e tratar as duas condições juntas sempre foi um desafio. Ele afirmou que, no TRIUMPH-2, a retatrutida reduziu substancialmente tanto o peso quanto a glicemia, com mais da metade dos participantes deixando de se enquadrar no diagnóstico de obesidade e até 40% atingindo A1C na faixa normal. Para Kenneth Custer, vice-presidente executivo e presidente da Lilly Cardiometabolic Health, o estudo mostra o que a próxima geração de medicamentos para doenças cardiometabólicas pode oferecer.


A retatrutida é um triplo agonista: simula os hormônios GLP-1 e GIP, como a tirzepatida (Mounjaro), e também o glucagon. Essa ação ampliada tende a resultar em maior perda de peso que a de seus antecessores, como a semaglutida (Ozempic e Wegovy). A Eli Lilly informou que planeja pedir aprovação do fármaco à FDA, agência reguladora dos EUA, no primeiro trimestre de 2027.

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