Estudantes de Luziânia criam bioplástico de jatobá e testam extrato contra larvas do Aedes
Pesquisa do Cepi Osvaldo da Costa Meireles usa fruto do Cerrado em alternativa ao plástico e investiga ação larvicida da casca
Três estudantes do Colégio Estadual em Tempo Integral (Cepi) Osvaldo da Costa Meireles, em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal, desenvolvem um bioplástico a partir do jatobá, fruto típico do Cerrado, e investigam se substâncias presentes na casca podem ajudar no combate às larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. O projeto é conduzido por Ana Luiza Mendes Barfknecht, de 18 anos, Letícia Araujo, também de 18, e Isadora Rodrigues Rapatoni, de 17.
O bioplástico é um material produzido a partir de matérias-primas de origem biológica e estudado como alternativa aos plásticos convencionais, geralmente derivados do petróleo. A pesquisa começou em 2024, durante uma eletiva de Biotecnologia, sob orientação da professora de Biologia Gabrielle Rosa Silva, de 30 anos, doutora na área. No início, o grupo também era formado por Gabriella Gomes das Neves, que participou das primeiras etapas, mas deixou a iniciativa ainda no começo do desenvolvimento.
A preocupação com o descarte inadequado de resíduos foi um dos pontos de partida. Segundo Ana Luiza, a equipe percebeu a quantidade de lixo descartada incorretamente tanto no ambiente escolar quanto nas ruas. Antes de chegar ao jatobá, as estudantes fizeram as primeiras experiências com amido e gelatina, que permitiram produzir um bioplástico resistente, mas o grupo queria buscar uma matéria-prima regional.
Para produzir o bioplástico com jatobá, as estudantes quebram o fruto, de estrutura rígida, e separam seus componentes. A partir das sementes, extraem amido e fibras, que são fervidos em água. Depois, a mistura passa por filtragem e decantação, e os sólidos são levados ao forno para secagem. O pó obtido é utilizado na formulação do material. Foram sete formulações até o grupo chegar a um resultado considerado consistente.
Além de desenvolver o bioplástico, as estudantes investigam como ele se comporta em diferentes condições ambientais. Nos testes realizados até agora, foram observados sinais de degradação após cerca de dois meses. As amostras expostas à umidade e à chuva ficaram mais macias e perderam parte da forma e da resistência. Já o material mantido em ambiente interno permaneceu mais conservado. Os resultados são preliminares.
Outra frente da pesquisa busca verificar se substâncias presentes na casca do jatobá podem ser utilizadas no combate às larvas do Aedes aegypti. Os ensaios foram feitos em triplicata, com extrato preparado a partir da fervura da casca em água. De acordo com Ana Luiza, o resultado foi comparado ao efeito da água sanitária, que apresentou ação mais rápida, enquanto o extrato também demonstrou efeito sobre as larvas, embora em intervalo maior.
Agora, as estudantes investigam se mudanças no tempo de fervura podem melhorar a ação do extrato. Além da preparação inicial, com cerca de 15 minutos, o grupo testa períodos de 30 e 45 minutos. A hipótese é que o aquecimento por mais tempo permita extrair uma quantidade maior de compostos fenólicos e flavonoides presentes na casca.
O desenvolvimento do projeto também enfrenta limitações de infraestrutura. Segundo a orientadora, o laboratório da escola não dispõe de todos os equipamentos necessários para análises mais complexas. Parte do trabalho precisa ser feita manualmente, e as atividades dependem do tempo disponível na eletiva, que tem duas aulas semanais. A falta de financiamento é outro obstáculo, e um dos centros de pesquisa mais próximos fica a cerca de 70 quilômetros de distância. A expectativa é buscar parcerias com universidades e laboratórios.
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