Locomotiva Maria Fumaça nº 11 é monumento histórico no Centro de Goiânia
Peça da antiga Estrada de Ferro de Goiás está exposta na plataforma da Estação Ferroviária, tombada pelo Iphan em 2002
No Centro de Goiânia, a Antiga Estação Ferroviária guarda um dos símbolos mais representativos da Estrada de Ferro de Goiás: a locomotiva a vapor nº 11, conhecida pelos goianienses como Maria Fumaça. A peça está exposta no local da antiga plataforma de desembarque.
O escritor Edmar César Alves, que se dedica a estudos sobre as estradas de ferro, explica que a locomotiva hoje transformada em monumento histórico foi usada pela Estrada de Ferro de Goiás. Segundo ele, a identificação da peça é nº 11, embora a primeira locomotiva a vapor da antiga ferrovia goiana, a de nº 1, esteja na Praça dos Ferroviários, em Araguari.
Em seu livro, Edmar destaca o depoimento de Filemon Xavier, natural de Ipameri e antigo telegrafista e supervisor de movimento de trens. "Essa locomotiva aqui de Goiânia era a 11. Ela trabalhava em Goiandira, naquele intercâmbio entre a Rede Mineira de Viação e a Estrada de Ferro Goiás. O maquinista dela era o Barbosinha", relata Filemon na obra.
Além do número, a locomotiva era conhecida por outro nome: Ritinha. Especula-se que o apelido tenha sido escolhido por conta de seu porte. "Era uma locomotiva pequena, usada para manobras nos pátios ferroviários", afirma o escritor.
Com o encerramento das atividades da estação ferroviária de Goiânia, desativada na década de 1970, e a extinção da Estrada de Ferro de Goiás, a locomotiva nº 11 foi colocada em exposição na parte externa da antiga Estação. "Essa locomotiva foi colocada como símbolo histórico, símbolo da própria estrada de ferro de Goiás", diz Edmar.
A Estação Ferroviária de Goiânia foi inaugurada em 1950, junto às demais estações do trecho de 95 km entre Leopoldo de Bulhões e a capital. A antiga Estrada de Ferro Goyaz passou a receber trens de cargas e passageiros em 1952, funcionando durante 30 anos, até que o pátio ferroviário foi transferido para Senador Canedo, em 1980, permitindo a continuação da Avenida Goiás e a construção da Rodoviária da cidade.
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2002, o edifício compõe o acervo Arquitetônico e Urbanístico Art Déco da capital, com dois afrescos pintados por Frei Nazareno Confaloni.
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