Robôs, IA e carros autônomos devem redesenhar economia até 2036
Projeções apontam salto de mercado de humanoides para quase US$ 30 bilhões e avanço da AIoT; em Goiás, agronegócio e polos industriais aparecem como frentes de adoção
A próxima década deve ser marcada por uma transformação tecnológica de grande alcance. Robôs que circulam entre pessoas, casas que antecipam necessidades, carros sem motoristas e uma inteligência artificial que reestrutura a economia tendem a sair da ficção científica e entrar no cotidiano até 2036. As projeções de mercado e os avanços científicos apontam para a convergência entre IA, robótica, internet das coisas e conectividade como vetor de mudança na indústria, no comércio e na vida nas cidades.
Na robótica, o movimento é de saída do chão de fábrica. A Europa já discute a criação de um setor industrial de robótica baseada em IA comparável à indústria automotiva em 10 a 15 anos. Robôs domésticos, como o humanoide Rollin' Justin, já demonstram capacidade de identificar objetos, limpar mesas e auxiliar em tarefas cotidianas de forma autônoma. O mercado global de robôs humanoides deve alcançar quase US$ 30 bilhões até 2036, impulsionado por aplicações em manufatura, logística e serviços. Modelos de fundação para robótica podem desbloquear um mercado de US$ 150 bilhões no mesmo período. No Brasil, a penetração de robótica em plantas industriais é inferior a 15%, com demanda por robôs colaborativos e manutenção preditiva.
A Internet das Coisas evolui para a AIoT, fusão entre IoT e inteligência artificial. O mercado global de AIoT deve saltar de US$ 37 bilhões em 2026 para US$ 485 bilhões em 2036, expansão de cerca de 13 vezes em uma década, com taxa anual composta de 29,4%. A manufatura lidera a adoção, seguida por cidades inteligentes, saúde e agricultura. No Brasil, o mercado de IoT pode chegar a US$ 100,7 bilhões até 2034, com crescimento anual de 18,6%. A expansão do 5G e da computação de borda deve permitir que bilhões de dispositivos processem dados localmente, reduzindo latência e viabilizando aplicações em tempo real — do monitoramento de safras no Cerrado a sistemas de segurança urbana.
A casa inteligente deixa de ser conjunto de dispositivos isolados para se tornar ecossistema integrado e proativo. O mercado global deve atingir US$ 233,4 bilhões até 2035, com crescimento anual de 6,7%. A virada virá com IA generativa e preditiva em eletrodomésticos e automação, que passarão a antecipar necessidades e otimizar o consumo de energia. A padronização Matter, com mais de 1 bilhão de dispositivos compatíveis, deve acelerar a interoperabilidade entre marcas.
Nos veículos autônomos, a transição será gradual. Simulações indicam que, mesmo em cenários favoráveis, os totalmente autônomos não devem ultrapassar 50% da frota circulante brasileira até 2060. A automação avança em nichos, com o segmento de retrofit crescendo de 10%–15% para 20%–25% do valor de mercado entre 2026 e 2035.
A IA será a espinha dorsal dessa transformação. No Brasil, a adoção pode adicionar até 13 pontos percentuais ao PIB na próxima década, e a tecnologia já é prioridade para 67% das empresas. Até 2030, devem ser abertas 500 mil vagas na área. No comércio eletrônico, os gastos online devem crescer 104% na próxima década, e a participação do e-commerce no consumo das famílias passará de 11,5% para 15,2%.
Para Goiás, as tendências se traduzem em oportunidades. O agronegócio pode se beneficiar da AIoT para monitoramento de safras e pecuária de precisão. A industrialização nos polos de Anápolis e Aparecida de Goiânia pode acelerar com robôs colaborativos e manutenção preditiva. No comércio, o avanço do e-commerce e a inclusão digital de consumidores mais velhos abrem espaço para marketplaces regionais e logística inteligente. O desafio será transformar a onda tecnológica em desenvolvimento inclusivo, com infraestrutura, regulação e qualificação profissional.
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