Flávio Bolsonaro pediu ampliação de horário e depois questionou decisão do TSE
Campanha do PL solicitou extensão de votação em 17 municípios de três estados; após derrota, senador anunciou que pediria anulação do pleito
O senador Flávio Bolsonaro (PL), que se recusou a reconhecer a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, havia recorrido à Justiça Eleitoral no próprio domingo (25) para pedir a ampliação do horário de votação. A solicitação da campanha previa que urnas de municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina permanecessem abertas até as 19h, devido aos transtornos provocados pelas chuvas.
Horas depois, Flávio passou a questionar a decisão que estendeu o período de votação em todo o país e anunciou que pretende recorrer à Justiça para pedir a anulação da eleição.
O pedido apresentado pela campanha do PL ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tinha alcance localizado. A equipe argumentou que chuvas intensas, alagamentos, deslizamentos e bloqueios de vias dificultavam o deslocamento dos eleitores. A solicitação abrangia 17 municípios dos três estados e também previa que a divulgação dos resultados presidenciais aguardasse o encerramento da votação nas localidades contempladas.
Na justificativa apresentada à Justiça, os advogados de Flávio defenderam que o eleitor não deveria ser obrigado a escolher entre a própria segurança e o direito de votar diante das condições climáticas adversas.
A campanha de Lula também acionou a Justiça para ampliar o horário de votação, mas apresentou uma solicitação de alcance nacional, alegando dificuldades no transporte público que prejudicavam o acesso às urnas em diferentes regiões. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a extensão até as 19h, medida que foi comunicada à Justiça Eleitoral.
Após a derrota, Flávio criticou a decisão e afirmou que não reconheceria o resultado das urnas. O candidato alegou que a mudança no horário teria alterado as regras durante a votação e anunciou que pediria a anulação do pleito.
O contraste está no fato de que a própria campanha de Flávio havia defendido, horas antes, a ampliação do período de votação, embora restrita a municípios afetados pelas condições climáticas. A solicitação do PL, porém, não era idêntica à apresentada pela campanha petista, que buscava estender o horário nacionalmente em razão de problemas no transporte público.
A diferença entre os pedidos não elimina a contradição política de questionar a ampliação do horário depois de também ter solicitado uma medida semelhante. A discussão sobre a validade do resultado, por sua vez, depende de fundamentos jurídicos e de análise das autoridades competentes, não apenas da discordância de um candidato com a decisão eleitoral.
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