Após pedir prorrogação, Flávio questiona horário e pede anulação
Senador e candidato do PL criticou extensão da votação horas depois de sua própria campanha solicitar medida semelhante à Justiça Eleitoral. Levantamento aponta que votos registrados após as 17h representam menos de 1% da vantagem do adversário.
Resumo rápido
- Senador e candidato do PL criticou extensão da votação horas depois de sua própria campanha solicitar medida semelhante à Justiça Eleitoral.
- Levantamento aponta que votos registrados após as 17h representam menos de 1% da vantagem do adversário.
O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, entrou no centro de uma contradição política ao questionar a prorrogação do horário de votação até as 19h e anunciar que pediria a anulação do segundo turno. Horas antes, a própria campanha dele havia recorrido à Justiça Eleitoral para solicitar a ampliação do período de votação em 17 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, afetados por chuvas intensas, alagamentos e bloqueios de vias.
Segundo o material divulgado, o pedido inicial da campanha de Flávio tinha alcance localizado e previa que a divulgação dos resultados presidenciais aguardasse o encerramento da votação nessas localidades. A justificativa era que o eleitor não deveria ser obrigado a escolher entre a própria segurança e o direito de votar diante das condições climáticas adversas.
A campanha do adversário, Luiz Inácio Lula da Silva, também acionou a Justiça, mas pediu a extensão do horário em todo o país, alegando dificuldades no transporte público. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, determinou a prorrogação até as 19h, medida comunicada à Justiça Eleitoral.
Após a derrota, Flávio criticou a decisão e afirmou que não reconheceria o resultado das urnas. O candidato alegou que a mudança no horário teria alterado as regras durante a votação e anunciou que pediria a anulação do pleito.
Contradição política
O contraste está no fato de que a própria campanha de Flávio havia defendido, horas antes, a ampliação do período de votação, embora restrita aos municípios afetados pelo clima. A solicitação do PL, porém, não era idêntica à da campanha petista, que buscava estender o horário nacionalmente por causa de problemas no transporte público.
A diferença entre os pedidos não elimina a contradição política de questionar a ampliação do horário depois de também ter solicitado uma medida semelhante.
35 mil votos após as 17h
Levantamento do g1 com dados do Tribunal Superior Eleitoral apontou 35.521 confirmações de voto para presidente após as 17h no segundo turno. Desses, 30.866 já haviam sido conferidos com os boletins de urna, e 4.655 aguardavam validação.
O número, porém, é estatisticamente irrelevante para o resultado final. A vantagem de Lula sobre Flávio foi de cerca de 4,4 milhões de votos. Mesmo que todos os 35.521 votos registrados após as 17h fossem para Flávio, eles representariam menos de 1% da diferença entre os candidatos.
Fragilidade jurídica
Para que um pedido de anulação de eleição prospere, é necessário comprovar que a irregularidade alterou o resultado final. Como a diferença é de milhões de votos e o universo contestado é de dezenas de milhares, não existe fundamento jurídico para anular o pleito.
Especialistas lembram ainda que o TSE já rejeitou pedido semelhante e multou o PL em R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé em caso anterior.
Conclusão
O questionamento de Flávio Bolsonaro é marcado por uma incoerência política — criticar uma medida que sua própria campanha solicitou — e por uma inviabilidade jurídica: a diferença de votos torna o pedido de anulação insustentável. Analisado em conjunto, o episódio se assemelha mais a uma estratégia de contestação política do que a uma ação com fundamentos legais sólidos.
Nota da Redação: o texto acima é baseado no conteúdo enviado e em dados citados na conversa. Antes da publicação, recomenda-se confirmar no TSE os números, as datas e a condição de candidatura atribuída a Flávio Bolsonaro.
Tags: Flávio Bolsonaro, eleições, TSE, prorrogação da votação, anulação, Goiás Agora.
Leia mais notícias sobre Brasil no Goiás Agora e fique por dentro de tudo!
Avalie esta notícia
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar nesta matéria.