Dono da Baires Fly diz que voo de Flávio Bolsonaro foi pago por intermediário dos EUA
Empresário argentino afirma à AFP que recebeu US$ 150 mil de broker que mora nos Estados Unidos e nega conhecer o contratante final
O voo que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a família dele a Miami foi contratado e pago por um intermediário do setor aeronáutico por meio de uma conta nos Estados Unidos, disse à agência AFP o dono da Baires Fly, empresa que opera o jato. O empresário argentino Luis Grande afirmou ter sido contratado por um broker que conhece há dez anos, que vende voos e mora nos Estados Unidos.
Segundo Grande, o operador, cuja identidade se recusou a revelar, teria transferido US$ 150 mil (cerca de R$ 800 mil) de uma conta em um banco americano. O empresário diz não conhecer o verdadeiro contratante. Os jornais The New York Times e The Wall Street Journal publicaram que o avião teria sido contratado por Jason Miller, assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A Casa Branca não se pronunciou.
A Baires Fly é citada em uma investigação sobre lavagem de dinheiro envolvendo contratos públicos de medicamentos e insumos médicos na Argentina. A suspeita do esquema de corrupção causou, em 2025, escândalo no governo do presidente argentino, Javier Milei.
Flávio cruzou a fronteira com a Argentina e, de lá, rumou para Miami em um jato particular na madrugada de quarta-feira (28). A fuga ocorreu depois que o parlamentar, alvo de dois inquéritos por lavagem de dinheiro, foi proibido de sair do país e teve seus passaportes cancelados por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF).
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado e preso por tramar um golpe de Estado, não reconheceu a derrota nas urnas para o presidente Lula (PT). Ainda no domingo (25), discursou criticando a prorrogação do horário de votação — pedido que sua campanha também fez ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Depois de ser intimado pela Polícia Federal na segunda-feira (26), afirmou que nunca pensou em sair do Brasil, que entregaria os passaportes e que pediria a cassação da chapa vencedora. Na quarta-feira (28), já em Miami, divulgou várias versões de uma carta golpista em que disse que lideraria a oposição a partir dos Estados Unidos.
Grande, da Baires Fly, disse que o intermediário havia solicitado o voo para segunda (26) e depois o adiou para a tarde de terça-feira (27). Flávio, a esposa e as duas filhas partiram à 0h22 de quarta do aeroporto argentino de Puerto Iguazú, na fronteira com o Brasil, após passarem pelo controle migratório por terra, segundo autoridades argentinas.
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