França registra quatro novas ameaças de bomba contra aviões; quase 30 voos foram afetados na Europa
Segundo o gabinete do primeiro-ministro francês, todas as aeronaves pousaram em segurança e equipes de desativação inspecionam os aviões. Nenhum grupo reivindicou os ataques.
Quatro novas ameaças de bomba foram feitas nesta sexta-feira (6) contra aeronaves que sobrevoavam o território francês, informou o gabinete do primeiro-ministro da França. Todas as aeronaves pousaram em segurança, e equipes de desativação de bombas realizam inspeções nos aviões.
As autoridades francesas conduzem uma investigação para determinar a origem das ameaças, que afetam toda a Europa, segundo o gabinete. Do início da semana até quinta-feira (5), quase 30 voos foram afetados em diferentes países europeus. Nenhum governo revelou quem estaria por trás das mensagens, e nenhuma reivindicação de responsabilidade foi confirmada.
Especialistas em segurança afirmaram que o caso pode envolver indivíduos agindo por motivos pessoais ou imitadores, mas também apresenta características de um "ataque híbrido" mais coordenado. "Quando se trata de uma situação como essa ou mesmo de outros ataques de sabotagem, é realmente difícil provar que há um determinado país por trás disso. Mas isso se encaixa no modus operandi", disse Eric Schouten, chefe do grupo de segurança aeronáutica Dyami.
Muitas autoridades europeias acusaram a Rússia de orquestrar sabotagens e ataques híbridos desde sua invasão da Ucrânia em 2022. Esse tipo de ação costuma ser barato de executar, facilmente negável e não deve provocar uma resposta armada. A Dinamarca, a Polônia e a Romênia, todas afetadas pelas interrupções de quinta-feira, já haviam acusado diretamente Moscou de estar por trás de ataques híbridos, enquanto a Alemanha culpou a Rússia por um ataque ocorrido em agosto no aeroporto de Leipzig. O Reino Unido associou o Irã a uma suposta conspiração contra uma base aérea dos Estados Unidos. Tanto a Rússia quanto o Irã negaram essas acusações.
Uma fonte de um aeroporto na Itália disse à Reuters que um e-mail com o assunto "Relatório de ameaça" foi enviado a vários endereços de companhias aéreas, operadoras aeroportuárias e prestadores de serviços nos aeroportos de Fiumicino, em Roma, e de Malpensa, em Milão. A mensagem, que alegava ser de "combatentes do Male State", afirmava que dispositivos haviam sido colocados em voos provenientes de Helsinque e Dublin e que explodiriam em 60 minutos. "Hoje, o céu de vocês ficará vermelho", dizia o texto. Não havia indícios imediatos de quem estivesse por trás das outras ameaças na Europa.
Vladislav Pozdnyakov, blogueiro russo que fundou em 2016 o movimento antifeminista Male State, posteriormente proibido na Rússia, afirmou que o grupo não existe mais e não está envolvido de forma alguma. "Qualquer pessoa que atualmente esteja orquestrando provocações nos países da União Europeia sob a bandeira dessa 'marca' está agindo em seu próprio interesse — essencialmente, hasteando a bandeira de outra pessoa", escreveu ele em seu canal no Telegram.
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