Mabel diz que Flávio Bolsonaro é perseguido e critica Judiciário após viagem aos EUA
Prefeito de Goiânia afirmou que senador viajou legalmente e que Justiça está politizada; declarações ocorreram após restrições impostas por Alexandre de Moraes
O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União), afirmou nesta quarta-feira (28) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é alvo de perseguição e criticou a atuação do Judiciário após a viagem do parlamentar aos Estados Unidos. Mabel defendeu que a saída do país ocorreu legalmente, embora tenha reconhecido que não sabe por que o senador decidiu viajar.
"Eu, particularmente, não sairia, eu enfrentaria. Mas é que eu gosto de enfrentar a confusão", declarou o prefeito ao ser questionado pelo jornalista Domingos Ketelbey, colunista da Tribuna do Planalto, sobre a viagem.
Mabel também contestou a ideia de que Flávio teria desaparecido após a eleição. "Ele não sumiu, né? Ele viajou, né?", respondeu. Na sequência, o prefeito atribuiu a saída do senador a uma suposta perseguição judicial. "Um candidato não pode sair de uma eleição e no dia seguinte tomar o passaporte dele, fazer isso, fazer aquilo. Quer dizer, é uma perseguição contínua que está existindo", afirmou.
As declarações foram feitas após medidas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que restringiram a saída de Flávio do Brasil e determinaram a entrega dos passaportes à Polícia Federal.
O prefeito ampliou as críticas à Justiça e afirmou que setores do Judiciário estariam atuando de forma politizada, especialmente nos tribunais superiores. "A Justiça está politizada. Infelizmente, muitas áreas da Justiça, principalmente tribunais superiores, estão politizadas", disse. Mabel, porém, não apresentou elementos que comprovassem a alegação de perseguição política contra o senador.
Ao defender a legalidade da viagem, o prefeito afirmou que Flávio teria ido primeiro à Argentina usando a carteira de identidade e depois seguido para os Estados Unidos com passaporte e visto. Ele não informou a origem dessas informações. A existência de documentos de viagem, por si só, não esclarece se a saída do país respeitou as restrições judiciais impostas ao senador.
Flávio Bolsonaro foi intimado na segunda-feira (26) a entregar os passaportes comum e diplomático à Polícia Federal no prazo de 24 horas, por determinação de Alexandre de Moraes. A medida também restringia sua saída do Brasil. O prazo terminou na manhã de terça-feira (27), sem que os documentos fossem apresentados, conforme as informações fornecidas sobre o caso. Na noite do mesmo dia, o avião privado que transportava o senador seguiu para os Estados Unidos, com chegada a Miami na manhã de quarta-feira (28).
Mabel apoiou Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial, quando o senador disputou a Presidência da República contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar de defender o parlamentar e criticar as decisões judiciais, o prefeito afirmou que teria adotado outra postura diante da situação: permaneceria no Brasil para enfrentá-la.
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