Goiânia, Domingo, 25 de outubro de 2026
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Personagem criada por IA é inserida em vídeos de Flávio Bolsonaro e direciona seguidores a conteúdo adulto pago

Perfis com mulheres geradas artificialmente somaram 47,7 milhões de visualizações no Instagram e levavam usuários a canais pagos no Telegram

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Personagem criada por IA é inserida em vídeos de Flávio Bolsonaro e direciona seguidores a conteúdo adulto pago

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  • Perfis com mulheres geradas artificialmente somaram 47,7 milhões de visualizações no Instagram e levavam usuários a canais pagos no Telegram

Uma personagem criada por inteligência artificial foi inserida em vídeos reais de Flávio Bolsonaro (PL) durante a campanha eleitoral. Identificada nas redes sociais como Julia Berlli Cortez e apelidada de "Loirona do Flávio", a mulher não existe. Em algumas montagens, a imagem dela substitui a do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).


A manipulação foi identificada pelo Projeto Comprova e pela Agência Lupa, que também descobriram que os perfis responsáveis pela divulgação dos vídeos direcionavam seguidores a serviços pagos de conteúdo adulto.


As imagens circularam principalmente no Instagram, TikTok e X durante a reta final da campanha presidencial. Os vídeos mostram a suposta apoiadora participando de caminhadas e outros compromissos de Flávio Bolsonaro realizados em outubro.



Uma das gravações foi feita durante a passagem do candidato pela Praia de Camburi, em Vitória, no Espírito Santo, no dia 17. Na versão original, Flávio aparece acompanhado de Nikolas Ferreira. Na montagem, o deputado é substituído por Julia Cortez. Também foram identificadas alterações em vídeos de eventos realizados na Bahia e em São Paulo.


A Agência Lupa identificou 24 vídeos publicados pelo perfil de Julia Cortez entre 8 e 20 de outubro. Juntas, as gravações alcançaram 45,2 milhões de visualizações no Instagram até o meio-dia do dia 20. Na época, a conta reunia aproximadamente 521 mil seguidores.


A personagem era apresentada como uma brasileira de 22 anos, estudante de Biomedicina. O perfil não informava que as imagens haviam sido produzidas por inteligência artificial.


A Lupa encontrou ainda outra conta, chamada IsadoraGauchina, que utilizava uma personagem artificial para simular a participação em atos de campanha de Flávio Bolsonaro. Esse segundo perfil tinha cerca de 1,2 milhão de seguidores e publicou vídeos em que a personagem aparecia ao lado do candidato e durante o debate presidencial realizado pela Band em 18 de outubro.


Somadas, as duas contas divulgaram 28 vídeos manipulados, com 47,7 milhões de visualizações no Instagram, segundo o levantamento da agência. Uma das gravações envolvendo Julia Cortez também ultrapassou 6 milhões de visualizações no X.


A investigação do Projeto Comprova identificou que a conta de Julia Cortez no Instagram direcionava usuários a um canal no Telegram. Nesse aplicativo, um sistema automatizado oferecia pacotes de fotos, vídeos e conversas íntimas atribuídos à personagem virtual. Os preços variavam de R$ 14,90 a R$ 39,90 por semana. Até 20 de outubro, o canal reunia aproximadamente 164 mil usuários.


A equipe de checagem examinou os dados de pagamento por Pix e identificou a empresa Sync Tecnologia, sediada em Brasília, como responsável pela intermediação financeira. Procurada, a empresa negou participação de seus sócios ou funcionários na criação da personagem ou na administração dos perfis. Informou que atua como prestadora de serviços de pagamento para clientes cadastrados e afirmou que abriu uma análise interna depois de ser informada sobre o caso. A identidade do responsável pela conta não foi divulgada.


Após o contato do Comprova com a empresa, os perfis associados a Julia Cortez foram retirados do ar no Instagram e no Telegram.


A Agência Lupa não encontrou evidências de que os perfis responsáveis pelas montagens tenham ligação com a campanha de Flávio Bolsonaro. O Projeto Comprova procurou a assessoria do candidato para questionar o uso de sua imagem, mas não recebeu resposta até a conclusão da apuração, divulgada em 22 de outubro.


A investigação também identificou publicações dos vídeos em grupos de apoiadores de Flávio, algumas sem qualquer indicação de que a mulher havia sido inserida artificialmente nas gravações. O levantamento da Lupa encontrou semelhanças entre os dois perfis, incluindo a divulgação de vídeos idênticos e instruções parecidas para a contratação dos conteúdos pagos. Os responsáveis pela criação e distribuição das montagens não foram identificados pelas equipes de checagem.


O uso desse tipo de personagem não começou nesta eleição. Em janeiro de 2026, a Lupa já havia encontrado perfis que inseriam mulheres produzidas por inteligência artificial em imagens de atos políticos associados tanto à direita quanto à esquerda, com links para serviços pagos de conteúdo adulto.

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Tags: #campanha eleitoral #conteúdo adulto #desinformação #Flávio Bolsonaro #inteligência artificial

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