Tradição de pedir doces no Halloween tem raízes medievais e expressão surgiu em 1927
Costume de porta em porta remonta ao souling e ao guising; expressão 'trick or treat' foi registrada pela primeira vez em jornal canadense
A expressão "trick or treat" combina duas possibilidades: treat, que significa agrado ou guloseima, e trick, que remete a uma brincadeira ou travessura. A ideia original é que, caso não recebam doces, as crianças poderiam fazer alguma brincadeira com os moradores. Atualmente, porém, a tradição é principalmente recreativa e marcada pelas fantasias e pela distribuição de guloseimas.
Apesar de ser uma prática bastante popular hoje, o costume de ir de porta em porta pedindo comida é muito mais antigo do que a expressão usada pelas crianças. Uma das possíveis raízes está em práticas realizadas na Europa durante a Idade Média. Na Inglaterra, pessoas pobres costumavam visitar as casas no Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, para pedir comida em troca de orações pelos familiares falecidos dos moradores.
A prática ficou conhecida como souling. Entre os alimentos oferecidos estavam os chamados soul cakes, ou "bolos das almas", pequenos bolos que podiam levar cruzes na cobertura. Com o tempo, crianças também passaram a participar dessa tradição. Na Escócia e na Irlanda, havia ainda o guising, costume em que jovens se fantasiavam e visitavam diferentes casas. Em troca de comida, frutas, moedas ou outros presentes, eles podiam cantar, recitar poemas, contar piadas ou realizar pequenas apresentações.
Essas práticas são apontadas por historiadores como possíveis influências da tradição moderna de pedir doces no Halloween. No entanto, não há uma única origem comprovada para o costume atual, que se desenvolveu a partir de diferentes tradições ao longo dos séculos.
A frase "trick or treat" é relativamente recente quando comparada às antigas práticas de pedir comida. Segundo a National Geographic, o etimologista Barry Popik identificou um dos primeiros registros conhecidos da expressão associada ao Halloween em um jornal de Alberta, no Canadá, publicado em 1927.
Naquele período, as comemorações nem sempre eram inofensivas. Nos Estados Unidos, algumas pessoas aproveitavam a data para fazer pegadinhas que ultrapassavam os limites da brincadeira. Há registros históricos de jovens que amarravam portas, ensaboavam janelas, danificavam propriedades e até provocavam situações perigosas. Em algumas comunidades, os problemas chegaram a preocupar moradores e autoridades. Por isso, ao longo do século 20, diferentes iniciativas buscaram transformar o Halloween em uma comemoração mais organizada e segura, com festas comunitárias e atividades voltadas às crianças.
Nos Estados Unidos, o costume de pedir doces ganhou força especialmente depois da Segunda Guerra Mundial. Durante o conflito, o racionamento de açúcar dificultava a distribuição de guloseimas. Com o fim das restrições e o crescimento dos bairros suburbanos, a prática de crianças fantasiadas visitarem as casas em busca de doces voltou a se popularizar. Na década de 1950, o Halloween já estava cada vez mais associado às crianças, às fantasias e à distribuição de guloseimas.
No Brasil, a tradição de pedir doces de porta em porta no Halloween não é tão difundida quanto nos Estados Unidos. A comemoração ganhou espaço por aqui principalmente por meio da influência da cultura norte-americana, presente em filmes, séries de TV e outras produções estrangeiras. Segundo o historiador Alexandre Ganan Figueiredo, pesquisador de pós-doutorado da Universidade de São Paulo (USP), a indústria cultural dos Estados Unidos contribuiu para a popularização de costumes norte-americanos no Brasil, entre eles a celebração do Halloween. Por aqui, a data costuma ser marcada por festas à fantasia, eventos escolares e atividades temáticas.
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