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Açafrão de Mara Rosa entra em lista do acordo Mercosul-UE e ganha proteção de nome na Europa

Produto é a única indicação geográfica goiana contemplada no tratado, em aplicação provisória desde 1º de maio de 2026, segundo estudo da Fieg.

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Açafrão de Mara Rosa entra em lista do acordo Mercosul-UE e ganha proteção de nome na Europa

O açafrão produzido na região de Mara Rosa, no Norte de Goiás, é o único produto goiano incluído na lista de indicações geográficas brasileiras contempladas pelo Acordo Comercial entre Mercosul e União Europeia. A informação consta de estudo da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) sobre os efeitos do tratado para a economia estadual.

No documento do acordo, a denominação aparece como “Região da Mara Rosa”, na categoria de especiarias. A indicação geográfica reconhece produtos associados a uma origem específica e a características ligadas ao município. A proteção busca impedir que produtos de outros lugares sejam vendidos na Europa usando indevidamente o nome associado à região goiana.

O acordo comercial provisório está em aplicação desde 1º de maio de 2026, e a proteção de nomes regionais faz parte das regras de propriedade intelectual previstas no tratado. Isso não significa, porém, que o açafrão de Mara Rosa passará a ser exportado automaticamente, nem que os produtores goianos serão os únicos fornecedores de açafrão na Europa. A exclusividade diz respeito ao uso protegido da denominação geográfica.

“Isso protege o nome e a reputação do produto”, explicou Saulo Nogueira, analista da Fieg. Segundo ele, a regra impede que produtores de outros países do acordo usem a indicação “de Mara Rosa” em produtos que não tenham essa origem.

Mara Rosa produz cerca de 5 mil toneladas de açafrão por ano. A cooperativa local estima que apenas 3% da produção é direcionada ao mercado externo, o que representa um volume físico muito baixo, estimado em cerca de 24 a 30 toneladas por ano exportadas de forma direta ou indireta.

Na prática, o reconhecimento pode ajudar a diferenciar o produto goiano de outros temperos e valorizar sua origem. A lista do acordo também inclui indicações de outras regiões brasileiras, como cafés, queijos e bebidas. Para o analista da Fieg, os produtores goianos não precisam mudar o nome do açafrão de Mara Rosa por causa da proteção. Ainda assim, a inclusão na lista não dispensa os requisitos normais para vender no mercado europeu: será preciso encontrar compradores e cumprir as exigências comerciais, sanitárias e de origem exigidas pelo bloco.

O açafrão de Mara Rosa (cúrcuma) é um dos principais produtos agrícolas do norte de Goiás, conhecido como o “ouro do cerrado” e reconhecido oficialmente como a Capital Nacional do Açafrão pela Lei nº 15.464, de 2026. A região responde por cerca de 90% do açafrão goiano e 26% do total nacional, segundo a referência. Levantamentos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apontam receita bruta anual estimada entre R$ 50 milhões e R$ 110 milhões, a depender do nível de processamento. O município tem área de cultivo estimada em 250 hectares, envolvendo mais de 300 famílias na agricultura familiar.

A raiz foi trazida historicamente para a região no século 18 pelos bandeirantes, que inicialmente a usavam para demarcar trilhas de mineração de ouro e depois incorporaram o cultivo à culinária e à economia local. A especiaria é extraída da raiz da Curcuma longa, que encontrou nas condições de solo e clima do Cerrado o ambiente ideal para atingir alto teor de curcumina e coloração amarela vibrante.

Tags: #açafrão de Mara Rosa #acordo Mercosul-União Europeia #cúrcuma #Fieg #indicação geográfica

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