Democratas vencem Câmara e Senado e reduzem margem de Trump
Oposição conquista maioria nas duas Casas do Congresso dos EUA e amplia poder de fiscalização sobre o governo federal
O Partido Democrata conquistou o controle das duas Casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3). O resultado representa uma mudança significativa na composição do Legislativo americano e reduz a margem de atuação do presidente Donald Trump, que terá de enfrentar uma oposição fortalecida nos dois últimos anos de seu governo.
Com a apuração ainda em andamento na manhã desta quarta-feira (4), os democratas somavam 228 das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, contra 139 dos republicanos. No Senado, a oposição alcançou 54 assentos, considerando dois parlamentares independentes alinhados ao partido, enquanto os republicanos tinham 44. Os números divulgados ainda eram parciais.
A vitória democrata superou as expectativas de parte das projeções anteriores à votação e ficou conhecida como "onda azul", referência à cor tradicional do partido. A mudança de maioria nas duas Casas permite que a oposição tenha maior influência sobre a tramitação de projetos, a aprovação de indicações para cargos públicos e a fiscalização das ações do governo federal.
A reação de Trump veio ainda durante a apuração. Em publicação na própria rede social, o presidente afirmou que seu nome não estava nas cédulas eleitorais e sustentou que, caso estivesse, os republicanos teriam vencido de forma expressiva. Em entrevista ao jornal The New York Times, Trump também declarou estar disposto a aceitar o resultado e trabalhar com os democratas, dizendo esperar chegar a entendimentos com a oposição.
Uma das marcas da eleição foi o avanço democrata em estados tradicionalmente republicanos. No Texas, James Talarico, de 37 anos, venceu o procurador-geral Ken Paxton e conquistou uma cadeira no Senado, em estado que apoiou Trump em 2024. Em Ohio, Sherrod Brown derrotou Jon Husted. No Kansas, Adam Hamilton venceu Roger Marshall. Em Iowa, Josh Turek superou Ashley Hinson e ficou com a cadeira antes ocupada por Joni Ernst, que não disputou reeleição.
A Carolina do Sul também registrou mudança importante: a democrata Annie Andrews venceu Darline Graham, em estado onde os democratas não elegiam senador desde 1998. Na Carolina do Norte, o ex-governador Roy Cooper derrotou Michael Whatley, candidato apoiado por Trump. Em New Hampshire, Chris Pappas venceu o ex-senador John Sununu e ocupará a vaga deixada por Jeanne Shaheen.
A situação econômica esteve entre os principais assuntos da campanha. Pesquisas apontaram o custo de vida como uma das maiores preocupações dos americanos, em cenário de insatisfação com preços de produtos, combustíveis e efeitos das tarifas comerciais do governo. A guerra contra o Irã também entrou no debate e ampliou críticas à condução da política externa. Trump tentou mobilizar apoiadores com mais de 20 comícios desde o início de outubro, concentrados em estados onde havia conquistado vantagem em 2024, mas a estratégia não impediu o avanço democrata.
O ex-presidente Barack Obama comemorou o desempenho do partido e afirmou que os eleitores enviaram uma mensagem clara nas urnas. Para ele, o resultado abre espaço para que os democratas trabalhem por mudanças e preparem o caminho para os próximos desafios políticos. A nova composição do Congresso terá efeitos diretos sobre os dois anos restantes do mandato de Trump: com maioria nas duas Casas, os democratas ampliam a capacidade de questionar decisões presidenciais, conduzir investigações sobre a administração federal e dificultar a aprovação de propostas do governo.
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